A Câmara dos Deputados da Itália aprovou hoje (12) o pacote de reformas econômicas que já havia recebido sinal verde do Senado ontem (11), abrindo caminho para a renúncia do atual primeiro-ministro do país, Silvio Berlusconi.

A chamada Lei de Austeridade foi proposta pelo governo de Berlusconi, que, em troca, prometeu renunciar assim que as medidas fossem aprovadas no Parlamento.

O primeiro-ministro se reuniu por duas horas neste sábado com seu possível sucessor, o ex-comissário da União Europeia (UE) Mário Monti. Espera-se que Berlusconi renuncie oficialmente em um pronunciamento às 20h30 deste sábado (17h30 de Brasília). O novo governo poderia ser empossado já na segunda-feira (14).

A lei aprovada pelo Parlamento contém medidas para economizar 59,8 bilhões de euros e equilibrar o Orçamento do país até 2014.

Entre estas estão o aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), de 20% para 21%; o congelamento dos salários de servidores até 2014; a alta da idade mínima de aposentadoria para as trabalhadoras do setor privado, de 60 anos, em 2014, para 65, em 2026; o aperto nas medidas contra a evasão fiscal; e um imposto especial para o setor de energia.

A dívida pública italiana já atinge 120% do PIB (Produto Interno Bruto). Na quinta-feira (10), o governo italiano conseguiu levantar 5 bilhões de euros em novos títulos da dívida, a juros de 6,087% para títulos de um ano.

Na quarta-feira (9), os juros para títulos da dívida de dez anos chegaram a 7%, mesmo patamar registrado pela Grécia, pela Irlanda e por Portugal quando foram obrigados a buscar ajuda financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da UE.

Uma equipe de especialistas da UE já está trabalhando em Roma, monitorando os planos do governo para reduzir sua dívida.