O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse neste domingo (18) que Israel deveria retirar as tropas da Faixa de Gaza se os militantes palestinos do Hamas interromperem os ataques com foguetes contra o território israelense.

“Israel deve declarar claramente que, se os disparos de foguetes cessarem, o exército israelense deixará Gaza. Não há outra solução para alcançar a paz”, afirmou o presidente francês durante uma entrevista coletiva à imprensa, após uma reunião entre líderes árabes e europeus no Egito para discutir como consolidar o cessar-fogo entre Israel e Hamas.

Sarkozy acrescentou que agora era o momento de acelerar um esforço que seria definitivo para a paz no Oriente Médio: a criação de um Estado palestino. “Acreditamos que este seja o início da nossa jornada”, afirmou. “Devemos continuar e acelerar nossos esforços para chegarmos a um acordo baseado na criação de dois Estados; um Estado palestino convivendo lado a lado com um Estado israelense, que possui o direito à própria segurança.”

Paralelamente, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que, além de aumentar o auxílio financeiro da ajuda humanitária para Gaza, o Reino Unido ajudaria a transportar os feridos para os hospitais e a reconstruir os prédios na região.

Uma das questões discutidas na reunião e que ainda não foi resolvida era como impedir o tráfico de armas para Gaza na fronteira do Egito. França, Alemanha e Estados Unidos ofereceram ajuda para bloquear o fluxo do contrabando, mas o presidente do Egito, Hosni Mubarak, rejeitou firmemente a presença de forças de supervisão internacional na fronteira com Gaza, argumentando que os egípcios possuem capacidade para exercer este tipo de fiscalização. Ele frisou que “o Egito não aceitará nenhum observador estrangeiro em seu território”.

Segundo o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que também compareceu à reunião, abrir a fronteira de Gaza com Israel era a solução para interromper o tráfico de armas. Ele afirmou que os túneis nas regiões fronteiriças de Gaza, usados pelos traficantes de armas, também são utilizados pelos habitantes para a obtenção de alimentos e combustíveis. “O contrabando é um problema porque Gaza está sufocada. O que mais eles poderiam fazer além de contrabandear itens dos quais precisam em meio ao bloqueio?”, avaliou.

Evitar o rearmamento do Hamas também era uma demanda essencial de Israel para um acordo duradouro. O país iniciou uma ofensiva contra os militantes do Hamas em Gaza em 27 de dezembro, argumentando que a organização havia utilizado uma trégua de seis meses para aumentar o arsenal.

Na madrugada deste domingo, Israel declarou um cessar-fogo unilateral na Faixa de Gaza e, algumas horas depois, o Hamas também anunciou uma trégua de uma semana, exigindo que Israel retirasse as tropas da região. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, ressaltou a necessidade de o Hamas interromper os ataques com foguetes e de Israel deixar o território. Moon disse também que enviaria uma equipe à Gaza nesta semana para avaliar qual o grau de necessidade de ajuda humanitária. As informações são da Associated Press.