O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, ordenou hoje que seja realizada uma revisão imediata sobre o futuro do setor de energia atômica do país, depois do terremoto que atingiu o Japão. “Eu solicito que os Ministérios da Energia e do Meio Ambiente e a agência nuclear realizem análises sobre a atual condição do setor atômico e uma análise sobre os planos para desenvolvimento futuro”, disse.

Putin determinou que “dentro de um mês os resultados da investigação sejam entregues ao governo”. Segundo ele, a Rússia não possui usinas de energia nuclear construídas em linhas de risco de terremotos e não tem planos para construir em locais como esses. “Nós precisamos estar prontos para agir em alguma eventualidade”, afirmou.

A Rússia é um dos produtores mais significativos de energia nuclear do mundo e também constrói usinas no exterior, incluindo a controversa usina Bushehr, no sul do Irã, uma região propensa a terremotos. Cerca de 16% da eletricidade da Rússia é gerada a partir de usinas nucleares. O governo aprovou planos estratégicos no ano passado que previam a construção de mais capacidade de energia nuclear antes de 2020.

De acordo com a agência nuclear russa Rosatom, o país possui 32 reatores nucleares e 10 usinas. O setor emprega mais de 190 mil pessoas no país. Putin afirmou que a Rússia terá de levar em conta que as deficiências de energia no Japão como resultado do terremoto terão “caráter de longo prazo” e deverá pensar em como aumentar o abastecimento de gás para o país.

As declarações de Putin foram uma surpresa, depois de ele ter declarado ontem que a Rússia está comprometida com a energia atômica. As informações são da Dow Jones.