O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, defendeu em discurso proferido hoje na Conferência sobre Desarmamento da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, o acordo assinado pelo Brasil, pela Turquia e pelo Irã sobre o programa nuclear iraniano. O chanceler brasileiro também defendeu o combate à proliferação nuclear e a eliminação total das armas nucleares.

“É importante repetir as razões que inspiraram dois países em desenvolvimento, membros não permanentes do Conselho de Segurança, a ousar lidar com assuntos de tal relevância na esfera da paz internacional. A Turquia e o Brasil guiaram-se primordialmente pelo objetivo – o qual é compartilhado por todos neste recinto – de encontrar uma fórmula que garantisse o exercício do direito do Irã ao uso pacífico da energia nuclear, ao mesmo tempo em que fornecesse garantias de que o programa nuclear possuísse propósitos exclusivamente pacíficos”, afirmou Amorim.

O ministro lembrou que o resultado da negociação foi reconhecido por pessoas muito respeitadas no setor nuclear e lamentou o fato de que não foi dada “pelo menos uma chance” de produzir algum resultado ou de se avaliar sua possibilidade de criar confiança. E lembrou que “se e quando as partes decidirem retornar à mesa de negociação, enfrentarão um desafio ainda maior”.

Amorim também defendeu uma forma mais democrática para a tomada de decisões. “A governança global está sendo reconstruída. O mundo não pode ser gerido por pequenos grupos que se auto intitulam tomadores de decisão.”

Para o chanceler brasileiro, cada vez mais pessoas compartilham a ideia de que a melhor forma de garantir a não proliferação nuclear é a eliminação total desse tipo de armamento. “Da mesma maneira, a forma mais eficaz de reduzir os riscos do uso indevido da materiais nucleares por atores não estatais é a eliminação irreversível de todos os arsenais nucleares.”

Segundo Amorim, é necessário o abandono da lógica da Guerra Fria, pela qual havia a capacidade de destruição mútua. “Devemos reconhecer a simples verdade de que as armas nucleares diminuem a segurança de todos os Estados, inclusive daqueles que a possuem”.