O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ameaçou ontem destituir o presidente Mahmoud Ahmadinejad, em uma das mais graves crises internas do regime iraniano. Os dois estão brigados e a disputa, que envolve até mesmo magia, vazou para a imprensa de Teerã, com o assunto sendo debatido nas tradicionais orações da sexta-feira ao redor do país.

O embate entre as duas mais poderosas autoridades do regime envolve outros dois homens fortes do governo. Um deles é aliado de Khamenei. O outro, de Ahmadinejad. No primeiro caso, as divergências começaram em abril, quando o presidente demitiu Heydar Moslehi, ministro da Inteligência. A decisão foi criticada pelo aiatolá.

De acordo com o site Ayandeh, de Teerã, citando o assessor presidencial Morteza Aqa-Tehrani, Khamenei disse a Ahmadinejad, em reunião ministerial, para escolher entre aceitar o retorno do ministro ou renunciar ao cargo. O presidente, contrariado, aceitou a volta de Moslehi, mas ficou 11 dias sem participar de reuniões ministeriais desde o incidente. Irritados com a atitude de Ahmadinejad, membros do gabinete teriam pedido o impeachment do presidente.

Agora, Ahmadinejad e Khamenei voltaram a divergir, mas a respeito do chefe de gabinete presidencial, Rahim Mashaei. Nos últimos dias, Mashaei e outras 25 figuras ligadas ao presidente foram detidas por ordem do aiatolá, acusados de magia e espiritismo. O problema é que, segundo analistas especializados em Irã, o chefe de gabinete é uma espécie de eminência parda de Ahmadinejad. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.