O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Guido Westerwelle, advertiu hoje que a espionagem norte-americana coloca em risco a histórica amizade entre Berlim e Washington e exigiu que os Estados Unidos “coloquem todas as cartas na mesa” em relação aos “indícios muitos sérios” de que o telefone celular da chanceler Angela Merkel teria sido monitorado.

Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira em Berlim, Westerwelle repentinamente parou de falar em alemão e declarou em inglês: “Para que tudo fique bem claro: para a Alemanha é inaceitável que nossa chanceler possa ter sido alvo de atividades de vigilância de nossos parceiros norte-americanos. Nós precisamos da verdade já”.

O novo desdobramento do escândalo em torno das ações de espionagem norte-americanas pelo mundo veio à tona ontem, quando o governo alemão informou que Merkel telefonara para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para exigir explicações sobre indícios de que seu celular teria sido monitorado pela Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês).

Westerwelle não confirmou se o telefone de Merkel chegou a ser realmente monitorado, mas observou que o escândalo mina a confiança entre as duas potências e é “tão grave” que o levou a convocar o embaixador norte-americano em Berlim, John B. Emerson, para exigir explicações.

Recentes vazamentos de informação sobre as atividades da NSA proporcionados pelo ex-agente norte-americano Edward Snowden revelaram, entre outras coisas, que os EUA monitoraram comunicações da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e do mexicano Enrique Peña Nieto quando este ainda era apenas candidato à presidência de seu país. Fonte: Dow Jones Newswires.