O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, contestou as acusações de que estaria retendo evidências contra o caráter armamentista do programa nuclear do Irã, e afirmou que Teerã deve explicações. “Existe um impasse”, disse ElBaradei ao conselho da AIEA, órgão ligado à Organização das Nações Unidas (ONU). “É essencial que o Irã se reengaje de forma substantiva com a agência para esclarecer e acabar com todas as questões pendentes”. Segundo ElBaradei, o Irã desafia o Conselho de Segurança da ONU ao se recusar a suspender o enriquecimento de urânio, que pode tanto ser usado na matriz energética quanto na produção de armas nucleares. O governo do Irã afirma que seu programa tem fins pacíficos, mas os Estados Unidos, França, Israel e outros países questionam.

“O Irã não tem cooperado com a agência em questões remanescentes, detalhadas nos relatórios da agência, que precisam ser esclarecidos com objetivo de excluir a possibilidade de existência de dimensões militares ao programa nuclear”, disse ElBaradei. Ele estava se referindo aos chamados estudos armamentistas, documentos coletados de uma ampla variedade de fontes de inteligência que sugerem que o Irã está tentando desenvolver uma ogiva nuclear, converter urânio e testar explosivos poderosos e um míssil de veículo de reentrada.

ElBaradei também rebateu as acusações feitas por Israel e França, e disse que elas têm motivação política. “As tentativas de influenciar o trabalho do secretariado e prejudicar sua independência e objetividade são uma violação do estatuto da AIEA, e devem cessar imediatamente”, rebateu o diplomata egípcio. Na semana passada, o ministro de Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, questionou publicamente por que ElBaradei se recusa a proporcionar os anexos de seu último relatório sobre o Irã, no qual ele diz que “existem elementos que nos permitem fazer perguntas sobre a realidade de uma bomba atômica”, em particular, sobre questões de ogivas nucleares e transporte. As informações são da Dow Jones.