O presidente Mahmoud Ahmadinejad pediu hoje que os líderes da oposição sejam processados pelos protestos após a eleição presidencial, aumentando a pressão contra o movimento reformista que afirma que ele venceu o pleito por meio de fraude. “Deve haver um sério confronto com os líderes e os elementos-chave que organizaram e provocaram (os tumultos) e levaram adiante os planos do inimigo. Eles devem ser tratados com seriedade”, disse ele, sem nomear diretamente os líderes. Foi a primeira vez que Ahmadinejad fez tal pedido, aliando-se publicamente aos políticos e clérigos linha-dura e comandantes da poderosa Guarda Revolucionária, que têm exigido que o líder opositor Mir Hossein Mousavi e seus principais aliados sejam detidos.

As palavras de Ahmadinejad foram proferidas num discurso para milhares de pessoas antes das orações semanais de sexta-feira em Teerã. Ahmadinejad foi ainda mais duro do que seu principal aliado, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, que no início desta semana disse que não via evidências de que os líderes opositores eram instrumentos dos inimigos externos do Irã, uma afirmação feita pelos linha-dura.

Ahmadinejad também admitiu, pela primeira vez, que alguns manifestantes sofreram abusos enquanto estavam detidos, mas também negou qualquer envolvimento do governo, afirmando que os abusos foram trabalho dos inimigos do Irã e da oposição. “As forças de segurança, militares e de inteligência não têm responsabilidade por esses atos vergonhosos”. Investigações policiais e parlamentares já confirmaram que alguns prisioneiros sofreram abusos na prisão. O governo tem se esforçado para conter a ira dos iranianos sobre as acusações de abuso. A oposição diz que muitos presos foram torturados até a morte.