O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, prometeu hoje encerrar os problemas sobre as eleições presidenciais e declarou na televisão que o pleito foi limpo, justo, honrado e que marcou o início de uma nova era. Seu discurso foi feito depois de os três principais líderes reformistas tentarem reacender o movimento de oposição, exigindo que os clérigos que estão no poder encerrem a pesada “atmosfera de segurança” imposta após as eleições e libertem os que foram detidos nas manifestações, segundo um site de oposição.

Foi o primeiro discurso nacional de Ahmadinejad desde que o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, declarou válidos os resultados da eleição, apesar das declarações de outros candidatos e semanas de manifestações de rua afirmando que os resultados foram fraudados. “Este é um novo começo para o Irã…entramos em uma nova era”, disse o presidente, explicando que 85% de participação eleitoral e a vitória arrebatadora deram a seu governo uma nova legitimidade. “Foi a mais limpa e livre eleição do mundo”, disse ele, acrescentando que durante a recontagem “nenhuma falha foi descoberta. Todo o país entendeu isso”.

“Esta eleição duplicou a dignidade da nação iraniana”, disse ele.

Durante o discurso de cerca de 30 minutos, iranianos em muitas partes de Teerã podiam ser ouvidos gritando de seus telhados “morte do ditador” e “Deus é grande”, ações que se tornaram um símbolo de desafio desde as eleições. O líder opositor Mir Hossein Mousavi, que afirma ter vencido as eleições de 12 de junho, luta para encontrar uma forma de canalizar o descontentamento geral desde o pleito, mas a polícia, a Guarda Revolucionária e a milícia Basij têm reagido violentamente contra as manifestações.

Mousavi disse na segunda-feira que pode ir além e criar um partido político para trabalhar no que ele chamou de “sistema legal”. Na noite de segunda-feira ele reuniu-se com as outras estrelas do movimento de reforma, o ex-presidente Mohammad Khatami e Mahdi Karroubi, outro candidato nas eleições, numa demonstração de unidade.

Os três advertiram a liderança de clérigos que, se as medidas de segurança continuarem, elas irão “apenas levar à radicalização das atividades políticas”, segundo texto divulgado no site de Mousavi nesta terça-feira. Mas não está clara qual será a margem que a oposição terá para tomar medidas políticas. Muitas das principais lideranças reformistas, incluindo o ex-vice-presidente do governo Khatami e um dos membros do gabinete, estão detidos e podem ser processados por incentivar as manifestações.