O número de infectados pelo vírus HIV na África do Sul diminuiu significativamente em razão do maior uso de preservativo pelos jovens, segundo o relatório do Conselho de Pesquisa de Ciências Humanas (HSRC, na sigla em inglês) divulgado hoje. O comunicado informa que, embora os jovens sul-africanos continuem tendo vários parceiros sexuais – o que intensifica a epidemia do vírus HIV -, eles estão cada vez mais usando preservativos. “Claramente, há uma luz no fim do túnel”, afirmou o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi, que assumiu o cargo no mês passado.

Motsoaledi precisa superar o legado do ex-presidente Thabo Mbeki, que negou a relação entre HIV e aids e do ex-ministro da Saúde, Manto Tshabalala-Msimang, que não mostrou confiança em medicamentos convencionais contra a aids. “Infelizmente, gastamos muito tempo lutando um contra o outro. Tenho certeza de que iremos parar de lutar um contra o outro e começaremos a lutar contra a doença”, afirmou Motsoaledi. “Espero que nos próximos anos os resultados sejam muito mais encorajadores.”

Durante quase dez anos de negligência, novas infecções por HIV alcançaram um pico de quase mil mortes causadas pela doença todos os dias. O relatório estimou que cerca de 5,2 milhões de sul-africanos estavam vivendo com aids no ano passado, o número mais alto registrado no mundo. O relatório apontou que o predomínio do HIV em crianças de 2 a 14 anos caiu de 5,6% em 2002 para 2,5% no ano passado, devido principalmente à disseminação do uso de medicamentos para evitar a transmissão do vírus de mulheres para seus filhos.

Mulheres jovens continuam sendo as mais afetadas. Quase um terço das mulheres com 20 a 34 anos estão infectadas com o vírus no país, de acordo com o relatório. A incidência entre pessoas de 18 anos caiu pela metade entre 2005 e 2008 para 0,8%. Entre pessoas de 20 anos, a incidência recuou de 2,2% para 1,7%. De acordo com Olive Shisana, uma dos autoras do relatório, isso é resultado do aumento do uso de camisinha por homens com idades entre 15 e 24 anos, de 57%, em 2002, para 87%, em 2008. Entre mulheres da mesma idade, também aumentou o uso do preservativo, de 46% para 73%. “O relatório mostra que, embora mais pessoas estejam tendo relações sexuais, elas estão usando camisinha”, disse ela.