O governo afegão procurou recentemente o Ministério da Agricultura do Brasil para pedir cooperação técnica no campo como forma de combater o cultivo de papoula – matéria-prima do ópio – e, dessa forma, debilitar a insurgência taleban, disse ao Estado Mohammad Masoom Stanekza, conselheiro do presidente Hamid Karzai. “Queremos uma aproximação com o Brasil para aprender como aproveitar nosso potencial agrícola”, afirmou.
Segundo ele, a embaixada afegã em Washington já manteve contatos com a chancelaria brasileira e o ministério. O plano agora é enviar uma missão para avaliar possibilidades de cooperação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “Sabemos que a produção no Brasil e o solo são bastante diferentes dos nossos, mas vemos como um país em desenvolvimento promoveu uma revolução graças à agricultura.”
O Afeganistão é o maior produtor de ópio do mundo e o negócio financia parte das operações do Taleban. Há oito anos, os Estados Unidos derrubaram o regime extremista do poder, mas até hoje não detiveram a violenta insurgência do grupo. A guerra no Afeganistão se transformou em um dos principais desafios do governo de Barack Obama. “Por ano, US$ 100 milhões vindos da produção de ópio são destinados ao Taleban”, disse Stanekza. “Precisamos de uma estrutura econômica que permita separar os jovens desses grupos radicais.”


