Os encarregados do maior acelerador de partículas do mundo anunciaram que triplicaram a energia mais intensa jamais alcançada, em seus preparativos para esquadrinhar os segredos do universo. A Organização Europeia para a Investigação Nuclear (Cern, na sigla em inglês), informou que um feixe de prótons circulou hoje a 3,5 bilhões de teraelétron-volts (TeV) em ambas as direções, no túnel de 27 quilômetros do Grande Colisor de Hádrons, que fica na fronteira entre França e Suíça, perto de Genebra.

“Conseguir que o feixe de partículas circule a 3,5 bilhões de TeV é uma prova da solidez do desenho geral do acelerador e das melhorias que realizamos desde setembro de 2008”, afirmou o diretor do Cern para aceleradores e tecnologia, Steve Myers.

O próximo experimento importante ocorrerá em alguns dias, quando o Cern começar a colidir feixes de partículas menores com forças internas do átomo, a fim de esclarecer a composição da matéria. O acelerador superou em dezembro o recorde estabelecido pelo aparato que, até sua inauguração, era o mais poderoso, o Tevatron do Fermilab, nas proximidades de Chicago, que alcançou quase um bilhão de TeV.

A energia extra usada no Cern deve esclarecer dúvidas sobre a física das partículas, como a existência da energia escura e da matéria escura. Os cientistas esperam também analisar em escala infinitesimal o que ocorreu nas primeiras frações de segundo após o Big Bang, que segundo a teoria vigente, iniciou o universo, há quase 14 bilhões de anos.

O Cern anunciou vários sucessos em seus experimentos, desde que voltou a funcionar no ano passado, após 14 meses de reparos e melhorias e uma falha espetacular, quando os cientistas tentaram colocar o aparato para funcionar. O Cern melhorou o sistema, a fim de poder utilizar mais energia nos experimentos.