A militante do Movimento dos Sem-Terra (MST) Diolinda Alves de Souza, de 36 anos, mulher do líder José Rainha Júnior, 45, será candidata à deputada estadual pelo PT de São Paulo. O número de registro da candidatura será sorteado amanhã no Sindicato dos Bancários, em São Paulo. O lançamento oficial vai ocorrer no próximo dia 10, quando o PT apresentará a lista de candidatos ao Legislativo.

Diolinda não consultou a direção estadual do MST antes de assumir a candidatura. O dirigente Clédson Mendes, da direção nacional, disse desconhecer o fato. Diolinda tem o apoio do marido e disse que sua campanha será baseada na militância de sem-terra no Pontal do Paranapanema. "Vou continuar fazendo.

que sempre fiz. Toda minha militância foi para conseguir a terra para os acampados, combatendo o latifúndio, e para melhorar as condições dos assentados".

Para Diolinda, o PT é um dos partidos que compõem a aliança com o MST. "É um partido que se identifica com o movimento." Ela é militante desde 1995, ano em que ficou presa 18 dias no Presídio do Carandiru, em São Paulo, por ter participado de invasões de fazendas. Na época, já era casada com Rainha e chegou a fazer greve de fome quando o marido foi preso por ter liderado invasões. Diolinda voltou a ser presa em 1997, por 37 dias, e em 2002, ficou na detenção por 48 dias, sempre em decorrência das ações do movimento.

No Dia Internacional da Mulher, em março deste ano, liderou a invasão de cinco fazendas do Pontal à frente de um grupo de mulheres. O casal tem dois filhos, João Paulo, de 12 anos, e Sofia, de 5. Diolinda disse que não vai se afastar da atuação no MST durante a campanha e, se for eleita, continuará participando de invasões. "Aí, então, com mais força".