Os promotores do Grupo de Atuação Especial Regional para Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), de Ribeirão Preto, acreditam que encontraram um novo indício de que a Leão Leão pagava propina para pessoas ligadas à prefeitura do município durante as gestões petistas de Antônio Palocci e Gilberto Maggioni, entre 2001 e 2004.

A suspeita foi reforçada após o depoimento de uma das quatro secretárias da Leão Leão citadas pelo advogado Rogério Tadeu Buratti, em 4 de fevereiro, que mencionou que elas conheciam o esquema de pagamento de propina. A Assessoria de Imprensa da empresa informou, por meio de nota, que a secretária errou a informação em seu depoimento, que já era contrariada pelas declarações de Carlos Alberto Ferreira Leão, que depôs em seguida.

"Acreditamos que esse dinheiro ia para o Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto), que era propina", disse um dos promotores do Gaerco, Tiago Cintra Essado No depoimento da secretária Fernanda Raphael Borges ao promotor Aroldo Costa Filho, no Ministério Público Estadual (MPE), no inquérito civil do lixo (que apura improbidade administrativa), ela ouviu uma gravação telefônica sua com o então presidente da Leão Ambiental, Wilney Barquete, em julho de 2004. Na conversa, ela pergunta se poderia enviar um envelope para um determinado local (que os promotores acreditam ser Daerp), sem citar valor. Barquete autoriza.

No depoimento, Fernanda disse que era uma quantia pequena, que deveria ser para pagar material gráfico da campanha de um projeto de coleta seletiva do município. Em 14 de fevereiro, Carlos Alberto Leão, em depoimento no MPE, disse que não houve doação nem participação da empresa em campanha do Daerp.

Em nota, a Assessoria de Imprensa da empresa informa que Fernanda reconhece o erro na informação e que o dinheiro (R$ 300) seria do próprio Barquete, que bancava o custo da mensalidade de uma creche da filha de uma funcionária do Daerp. "O pedido de ajuda à funcionária foi feito pela Isabel Bordini (então superintendente do Daerp) ao próprio Wilney, que colaborou com a quantia durante quatro meses", diz a nota, encerrada da seguinte forma: "Pressionada e nervosa por uma situação nunca vivida por ela (o depoimento no MP) respondeu o que está no depoimento)."

Na mesma data em que Fernanda foi ouvida no MPE, as outras três citadas por Buratti também foram ouvidas: Essado ouviu as secretárias de pré-nomes Dinah e Sônia e o promotor Sebastião Sérgio da Silveira ouviu Adriana. As três só confirmaram que o diretor Luiz Cláudio Ferreira Leão tinha ciência de todas as autorizações de pagamentos feitas. "Isso é relevante, pois mostra que ele (Luiz Cláudio) tinha conhecimento de toda a movimentação financeira da empresa e que não pode alegar ignorância sobre isso", comentou Essado. Para fechar isso, porém será necessário ouvir Isabel Bordini, que trabalha para o governo do Distrito Federal, em Brasília. Não há data marcada, mas os promotores deverão ir a Brasília para ouvir Isabel.

No depoimento de 4 de fevereiro, Buratti citou ainda que, além do falecido Ralf Barquete Santos (ex-secretário da Fazenda de Palocci entre 2001 e 2002), eventualmente outros diretores da Leão Leão levavam propina mensal de R$ 50 mil ao prefeito. Até então, só Santos e Nelson Collela (ex-chefe da Casa Civil de Maggioni, entre 2003 e 2004, a quem teria entregue valores recebidos da empreiteira) eram mencionados como os intermediários das propinas. Segundo Buratti, o dinheiro destinado a Palocci era enviado ao Diretório Nacional do PT. Porém, a Polícia Civil e o MPE investigam as fraudes nos serviços públicos e quem, de fato, recebia o dinheiro. As fraudes nas medições das varrições de rua e os saques suspeitos realizados nas contas da Leão Leão são alguns dos alvos das investigações.