Belo Horizonte ? Com uma marcha pela Praça da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, região central da capital mineira, cerca de mil integrantes de mais de 10 movimentos sociais terminaram o encontro contrário à 47ª Reunião Anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Não houve confronto com a polícia.

Depois de quatro dias de debate, as entidades elaboraram uma carta com 15 itens para a construção de um projeto popular para o Brasil. O documento foi entregue ao presidente da Assembléia Legislativa, Mauri Torres (PSDB), que, por sua vez, deve encaminhá-lo aos governos federal, estadual e autoridades do BID. "Essa carta representa o desejo e ansiedade dos movimentos sociais de Minas Gerais", disse o deputado estadual.

Entre as propostas dos manifestantes estão: interrupção do projeto de transposição das águas do rio São Francisco, respeito às organizações dos trabalhadores e trabalhadoras, realização de um ampla reforma agrária, fim do trabalho escravo, suspensão do pagamento da dívida externa e sistema político com mais participação popular.

"É preciso reverter esse histórico de injustiças. É preciso afirmar categoricamente: o Brasil tem jeito e pode ser diferente", afirmam os movimentos, na carta. Para um dos líderes do encontro, Joceli Andrioli, do Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB), o documento mostra que o país pode se desenvolver sem seguir as diretrizes dos organismos internacionais.

"Foi um movimento organizado, articulado, foi para as ruas e mostrou que tem gente que pensa o contrário daqueles que estão entregando o Brasil neste momento com os acordos bilaterais com o BID. Nas ruas, vamos construir esse país diferente", afirmou Andrioli.

Cerca de duas mil pessoas participaram do encontro organizado pelos movimentos. Na segunda-feira (3), integrantes do evento paralelo enfrentaram policiais em frente à sede da Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig). A recepção da companhia ficou destruída e 11 manifestantes foram presos.

Entre os movimentos envolvidos na organização do encontro paralelo estavam: Articulação do Semi-Árido Mineiro (ASA), Articulação Mineira de Agroecologia (AMA), Comitê Mineiro do Fórum Social Mundial, Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas), Fórum das Pastorais Sociais, Fórum Mineiro de Economia Popular Solidária (FMEPS), Fórum Mineiro de Reforma Urbana, Fórum Mineiro de Segurança Alimentar e Nutricional (FMSAN), Via Campesina e Movimentos dos Atingidos por Barragens.