Empresários e educadores defenderam nesta quarta-feira (6), durante o lançamento do movimento Todos pela Educação, que 5% do Produto Interno Bruto (PIB) seja destinado para ao ensino básico brasileiro. Isso equivaleria a cerca de R$ 100 bilhões por ano, que viriam tanto do governo federal, quanto de Estados e municípios. Hoje, esse índice no País é de 3,5% do PIB, ou seja R$ 70 bilhões.

O compromisso Todos pela Educação é uma iniciativa de um grupo formado pelos maiores empresários do País. Hoje eles divulgaram cinco metas que devem ser atingidas até 2022. O ano e local escolhido para o lançamento, o Museu do Ipiranga, em São Paulo, simbolizaram a mensagem de que "só existe verdadeira independência com educação de qualidade".

O ministro da Educação, Fernando Haddad, e representantes de secretários estaduais e municipais também participaram do lançamento. Haddad disse defender o aumento do porcentual do PIB. Segundo ele, é possível chegar a esse índice até 2011, com o Fundo de Manutenção do Ensino Básico (Fundeb), que ainda não foi aprovado no Congresso, e com o financiamento de projetos do MEC para o ensino médio e formação de professores.

A ampliação dos recursos para a educação é a quinta meta defendida pelo movimento. As outras quatro – lidas hoje, durante o evento, pelo empresário Jorge Gerdau Johannpeter – são: 98% das crianças e jovens na escola, toda criança de 8 anos sabendo ler e escrever, maioria dos alunos aprendendo o ideal para sua série e a maioria terminando o ensino fundamental até 16 anos e o médio, até 19 anos.

"Não podemos esperar mais, já estamos atrasados. Esse precisa ser um compromisso de toda a sociedade", disse Gerdau. "Educação de qualidade não é só vaga na escola", completou Viviane Senna. Segundo Ana Maria Diniz, a partir de amanhã um observatório do movimento passará a divulgar as metas e o eventual cumprimento delas no site www.todospelaeducacao.org.br.

Além dos empresários, participaram do evento alunos e professores de escolas públicas da capital, artistas e atletas. Giuliana Martins, de 6 anos, aluna de uma escola estadual da Mooca, leu um manifesto pela educação em nome dos estudantes do País. "Fui escolhida por ser boa aluna e não ter cabelo loiro ou olhos azuis", contou a menina, que mostrou pleno domínio da habilidade da leitura.