Brasília – O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) está se mobilizando contra as tarifas cobradas pela energia elétrica no Brasil.  Em abril deste ano, o movimento lançou a campanha ?O preço da luz é um roubo?, destinada a alertar a população sobre o alto preço cobrado pela luz residencial.

?As pesquisas que temos, de várias regiões dos continentes, vários países, têm demonstrado que o Brasil paga a quinta tarifa mais cara do mundo. Enquanto nos Estados Unidos as famílias pagam em média R$ 132 por ano, no Brasil, apesar de variar de estado para estado, a média anual fica acima de R$ 500?, afirma o coordenador nacional do MAB, Josivaldo de Oliveira.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro de 1995 a dezembro de 2005, a inflação acumulada medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (o índice de inflação oficial, usado pelo governo federal) ficou em 149,43%. A energia elétrica aumentou quase três vezes mais, acumulando alta de 420,70% no período.

Uma das propostas da campanha do MAB é fortalecer organizações de bairros e comunidades para fazer ações articuladas. Os militantes da campanha informam, por exemplo, que uma decisão judicial garante a tarifa básica para todas as famílias que consomem até 200 quilowatts-hora por mês. Isso significa que a conta de luz dessas pessoas pode vir com desconto de até 65% no preço final. No Paraná, por exemplo, uma decisão judicial determina que as famílias que consomem até 100 quilowatt-hora por mês não precisam pagar pela energia.

?A burguesia está fazendo de tudo para não acontecer, mas é possível que aconteçam fortes levantes em defesa do preço da luz para os trabalhadores. Eu estou muito otimista?, conta Oliveira. Os dirigentes do MAB também orientam que as famílias depositem em juízo o preço da energia determinado pelo benefício da tarifa social.

Uma outra crítica feita pelo movimento é a desigualdade do valor cobrado das grandes empresas consumidoras de energia elétrica e das famílias. De acordo com o MAB, as grandes empresas pagam até sete vezes menos pelo quilowatt consumido. Estas mesmas empresas também estariam gerando poucos empregos no Brasil, segundo ele.

?É uma decisão injusta e imoral até, porque geralmente quem consome muito é porque lucra muito. A lógica é essa, quem consome mais geralmente obtém muito lucro. Portanto, são elas as grandes exportadoras e que não pagam energia. Enquanto o trabalhador, o operário desempregado, não consegue pagar porque o preço é caro, injusto e com regras e critério: não pagou, corta, né?? critica o dirigente do MAB.

O ?pano de fundo? do movimento vai além das críticas sobre o preço da luz. Os militantes defendem um debate aprofundado do modelo energético que o Brasil deve adotar. Na opinião de Oliveira, não há necessidade de construir mais barragens, já que quase 90% da produção de energia, segundo ele, já vem de hidrelétricas. ?Com a energia que nós já temos, se soubermos distribuí-la e discutir prioridades pensando no bem-estar do povo, não haverá necessidade de se construir barragens no próximo período?.