O retorno da cobrança do pedágio na BR-277, entre Foz do Iguaçu e Guarapuava, está causando indignação e revolta entre os motoristas que usam a rodovia. Para eles, a decisão da justiça de permitir a volta da cobrança – mesmo sem a rodovia ter uma via alternativa para o percurso – revela o desconhecimento de alguns juízes em relação aos abusivos preços que as concessionárias praticam no Paraná.

?O pedágio aqui é caro demais. As empresas só pensam no lucro delas e estão prejudicando demais o nosso trabalho?, desabafa o caminhoneiro Rui Loss. ?Este tipo de decisão só pode ter sido tomada sem o conhecimento dos custos que temos para usar as rodovias pedagiadas?, acrescenta.

Além de obter a liberação da cobrança, a concessionária Rodovia das Cataratas reajustou a tarifa em mais 17% nas cinco praças que administra. A ação pegou muitos motoristas desprevenidos, depois de seis dias de cancelas abertas. A liberação, via portaria do DER, ocorreu no dia 7, sob o argumento de não haver via alternativa. A cobrança retornou na terça-feira (13).

O motorista Rui Loss diz que viajou com pouco dinheiro, na esperança que as cancelas de pedágios estivessem abertas ainda. ?Na semana passada passei aqui e não paguei nada. Então, desta vez, nem me preocupei. Porém, não só voltaram a cobrar, como aumentaram os valores. Me pegaram de surpresa?, afirma o motorista que trabalha há de duas décadas transportando produtos da região Oeste para o Porto de Paranaguá.

Já o autônomo Everaldo Horning diz sofrer ainda mais com os altos custos do pedágio. Realizando três viagens por semana carregando produtos da região Sul do Estado para o Noroeste, o caminhoneiro diz que não tem como escapar de algumas praças de pedágio. ?Por semana, gasto cerca de R$ 150 só com essas altas tarifas. É um roubo?, afirma.

Para ele, a decisão vai contra os interesses da população do Paraná. ?O pedágio aqui é caro demais, o que eu gasto para viajar poderia estar investindo no meu caminhão. É impossível que essa situação permaneça desta maneira, espero que a justiça e a luta do governador Roberto Requião revertam esta situação?, acrescenta.

Horning critica também o estado de conservação das rodovias pedagiadas. ?A gente paga muito, mas recebe pouco em retorno. As estradas estão cheias de buracos e com várias depressões. Com o preço que eles cobram, deveria estar tudo duplicado?.

O transportador do Mato Grosso do Sul, João Rodrigues de Araújo, faz uma viagem por semana com destino a Paranaguá. Ele conta que gasta quase R$ 600 para ir e voltar. ?Foi bom demais passar aqui e não pagar?, afirma ao recordar do frete que fez na semana passada, quando a cobrança estava proibida por determinação do DER.