São Paulo, 28 (AE) – A morte do presidente mundial da Fiat, Umberto Agnelli, ocorrida na noite de quinta-feira, reacende as discussões sobre o futuro da montadora italiana, que começava a recuperar-se de uma profunda crise. Os mercados financeiro e automobilístico voltaram a especular sobre a provável venda da companhia, uma das dez maiores do mundo, para a americana General Motors, que já detém parte das ações do grupo.

Umberto, de 69 anos, assumiu o comando do grupo há 15 meses, depois da morte de seu irmão mais velho, Gianni Agnelli, que esteve à frente da companhia por meio século. Ambos foram vítimas de câncer. O sucessor ainda não foi indicado. Comenta-se a possibilidade de uma direção interina – advogados do grupo ou o próprio Giuseppe Morchio, que dirige a empresa a convite de Umberto. O neto de Gianni, John Elkann, de 28 anos, estaria sendo preparado para o cargo, mas é considerado ainda muito jovem.

No período em que esteve à frente do grupo Fiat, Umberto validou o programa de recuperação adotado por Morchio, que determinou a venda de ativos secundários, entre as quais as divisões de seguros e aviação. O objetivo era financiar os esforços de recuperação da centenária unidade automobilística. Nesses 15 meses, o grupo melhorou suas contas e a dívida de ? 3 bilhões foi reduzida em cerca de 30%.

“Umberto Agnelli me convocou para o cargo num momento muito difícil para a Fiat. Nós trabalhamos muito durante estes últimos 15 meses e desde os primeiros dias me senti tocado pelo seu profundo amor pela Fiat, seu senso de dever, responsabilidade e espírito de serviço. Vou sentir muito sua falta”, afirmou Morchio em nota oficial.

No Brasil, as 15 fábricas do grupo em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, que empregam 23 mil pessoas, prestaram homenagens ao executivo italiano, que será enterrado amanhã (29) no mausoléu da família em Turim. Segundo informações da empresa no País, não há alterações nos rumos da empresa previstas para o curto prazo. A filial brasileira é a mais importante fora da Itália e registrou ano ano passado seu primeiro prejuízo em cinco anos, de R$ 284,5 milhões. A marca lidera o mercado brasileiro de veículos.

A família Agnelli ainda tem 30% das ações da Fiat, mas analistas do mercado financeiro previam hoje (28) que “a função da família vai cair e a morte pode acelerar o processo de venda” disse um operador de Milão. A notícia fez com que as ações da empresa subissem 2,9% hoje. “A família já não tem mais uma liderança clara”, disse o analista do setor automotivo da Kepler Equities em Milão, Matteo Bonizzoni.

Em 2003, a família injetou ? 250 milhões em dinheiro novo para financiar um aumento de capital de ? 1,8 bilhão na Fiat. Por isso há dúvidas se o interesse é manter o negócio ou torná-lo mais atrativo para a venda. Nos últimos meses, a direção da GM declarou que não tinha interesse em adquirir o controle da Fiat no curto prazo.

Apaixonado por carros e pelo futebol, Umberto nasceu na Suíça, em novembro de 1934. Neto de Giovanni Agnelli, fundador da Fiat, era advogado e iniciou a carreira como executivo em empresas do grupo na Itália e na França. Presidiu o maior clube de futebol da Itália, Juventus, e a Federação Italiana de Futebol.