Tomi Nakagawa, última sobrevivente do navio Kasato Maru, que trouxe a primeira leva de imigrantes japoneses ao Brasil, morreu dormindo na madrugada de quarta-feira. Ela completaria 100 anos no domingo. Seu corpo foi sepultado ontem em Londrina, onde Tomi morou nos últimos 50 anos.

O Kasato Maru aportou em Santos em 18 de junho de 1908, depois de 52 dias de viagem iniciada em Kobe, com os primeiros 781 beneficiários do acordo de migração feito entre os dois países. Tomi, que gostava de ser chamada de Teresa, tinha pouco mais de 1 ano de idade quando desembarcou com os pais, que não falavam nenhuma palavra em português. A dificuldade era compartilhada pelas 165 famílias que vieram no ‘vapor’. Ainda assim, os pioneiros estavam esperançosos.

Na maioria agricultores pobres, eles acreditavam que o Brasil era a terra prometida, o país onde o dinheiro brotava das árvores. Mas o desembarque no Porto de Santos, naquela manhã de 1908, mostrou outra realidade. Eles foram distribuídos em seis fazendas de São Paulo, mas, um ano depois, devido à dificuldade de adaptação, apenas 191 japoneses continuavam trabalhando nelas. Os demais se dispersaram por outros cantos de São Paulo e Paraná.

Os pais de Tomi voltaram para o Japão 20 anos depois, levando os três filhos mais novos, nascidos no Brasil, e deixando as três filhas mais velhas, nascidas no Japão. Ela jamais voltou a vê-los. Tomi se casou aos 22 anos com o agricultor Massagi Nakagawa, com quem teve sete filhos.

‘Ela estava conversando e brincando até a hora de dormir. Fui chamá-la às 6h30… Mas ela não acordou mais’, descreveu a filha Setsuyo Yano, com quem a matriarca vivia. Tomi, personagem de Gaijin 2, filme de Tizuka Yamazaki, deixa 30 netos e 37 bisnetos.

A comunidade japonesa do Paraná, que preparava a sua festa de 100 anos, declarou luto pela perda da pioneira, que recebeu várias homenagens durante sua vida, tanto no Brasil, quanto no Japão.