“Ele morreu hoje em paz rodeado pela sua família”, comunicaram os familiares em nota oficial.

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Jesse Jackson, figura emblemática da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, faleceu nesta terça-feira (17) deixando um legado de mais de cinco décadas de ativismo. Reconhecido pelo compromisso inabalável com a justiça, a igualdade e os direitos humanos, Jackson ajudou a moldar um movimento global pela liberdade e dignidade que transcendeu fronteiras e gerações.

“Artífice incansável da mudança, deu voz aos que não a tinham e deixou uma marca indelével na história”, escreveu sua família na nota. “Desde as campanhas presidenciais que liderou na década de 1980 até a mobilização de milhões de pessoas para se recensearem para votar, deixando sua marca na história”.

O ativista, que concorreu duas vezes à nomeação presidencial pelo Partido Democrata, em 1984 e 1988, construiu uma trajetória marcada pela defesa dos oprimidos. “O nosso pai foi um líder ao serviço dos outros – não só da nossa família, mas também dos oprimidos, dos que não tinham voz e dos esquecidos em todo o mundo. O dividimos com o mundo e, em troca, o mundo passou a fazer parte da nossa família alargada”, destacaram os familiares.

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Em 2017, Jackson havia anunciado publicamente sua luta contra a doença de Parkinson, o que o levou a reduzir gradualmente suas aparições públicas. Mesmo com a saúde fragilizada, manteve-se como uma voz ativa contra injustiças sociais.

A família acrescentou na nota: “A sua crença inabalável na justiça, na igualdade e no amor inspirou milhões de pessoas e pedimos que honrem a sua memória continuando a luta pelos valores que pautaram a sua vida”.

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Apesar dos desafios de saúde enfrentados nos últimos anos, Jackson permaneceu engajado nas causas sociais, manifestando-se contra a injustiça racial mesmo durante o auge do movimento Black Lives Matter. “Mesmo que ganhemos”, disse aos manifestantes em Minneapolis, antes de o policial que manteve o joelho sobre o pescoço de George Floyd ser condenado por homicídio, “isso será um alívio, não uma vitória. Continuam a matar o nosso povo. Parem a violência, salvem as crianças. Mantenham a esperança viva”.

Nascido na era da segregação racial americana, Jesse Jackson testemunhou e participou de momentos decisivos na história dos direitos civis nos Estados Unidos. Um dos episódios mais marcantes foi sua presença ao lado de Martin Luther King em Memphis, em 1968, quando o líder foi assassinado – um momento que definiu sua trajetória de ativismo.

A carreira de Jackson, no entanto, não esteve isenta de controvérsias. Em 1984, causou polêmica ao usar um termo antissemita para se referir a Nova York. Anos depois, em 2005, gerou debates ao apoiar o cantor Michael Jackson, seu amigo, durante o julgamento por abuso sexual de menores.

Mesmo com as polêmicas, foi com suas duas históricas campanhas presidenciais que Jesse Jackson conquistou notoriedade nacional e internacional, ampliando significativamente a plataforma política democrata para incluir as pautas da comunidade negra americana. Seu pioneirismo abriu caminho para que, décadas depois, os Estados Unidos elegessem seu primeiro presidente negro.