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Morre Ivo Pitanguy, o homem que “inventou” a cirurgia plástica

Aos 90 anos, cirurgião plástico mais famoso do mundo deixa um legado para a medicina e para a cultura brasileira

  • Por Cristian Toledo
Ivo Pitanguy em 2007:
Ivo Pitanguy em 2007: "A moda passa, mas as cicatrizes ficam” . Foto: Arquivo

Antes dele, a cirurgia plástica era um método usado para poucos e por poucos. Depois dele, virou moda, febre, quase rotina e hoje é de longe a intervenção clínica mais feita no Brasil. Ivo Pitanguy, que faleceu na tarde deste sábado (6), aos 90 anos, no Rio de Janeiro, transformou sua especialidade em integrante da cultura brasileira – e ele virou um personagem conhecido amplamente, como os artistas de novela, os cantores e os políticos mais poderosos. Ele deixa o legado de uma transformação que supera os rostos, seios e abdomes que vemos por aí.

Ivo Pitanguy começou a trabalhar na década de 1940, quando a cirurgia plástica sequer era uma especialidade reconhecida pela literatura médica. Passou por Ohio, Minnesota e Nova York em estudos e ajudou a implantar o Serviço de Cirurgia de Mão na Santa Casa do Rio de Janeiro. Era a primeira clínica específica em reconstrução de pele na América do Sul.

A partir desse começo difícil – e com momentos tristes, como a luta para recuperar os afetados pelo maior incêndio da história brasileira, do Gran Circo Norte-Americano, em 1961, em Niterói -, Pitanguy descobriu um caminho dourado, a luta pela eterna juventude, que todos buscam desde o início dos tempos. Assim criou, na mesma Santa Casa do Rio, o primeiro serviço de cirurgia plástica reparadora.

Daí por diante, a história é conhecida por todos. É difícil não termos em nosso convívio alguma pessoa que não passou por uma plástica (a “cirurgia” foi retirada na linguagem popular). Mesmo sendo o grande médico especialista do planeta, procurado por diversas estrelas do cinema mundial, Pitanguy era um crítico das intervenções exageradas, que mudavam feições e transfiguravam corpos. “Hoje em dia, entre os brasileiros, há uma preocupação excessiva com o corpo – e, com isso, deixa-se de lado o espírito. É saudável que as pessoas se cuidem, mas passar três horas por dia numa academia é um exagero. É mais importante desenvolver o intelecto do que os músculos do bumbum”, chegou a dizer.

Autor de mais de 900 livros no Brasil e no exterior, Pitanguy tinha 90 anos e trabalhou até recentemente. Também era um dos imortais da Academia Brasileira de Letras. Ele estava em casa na tarde deste sábado quando sofreu uma parada cardíaca. O corpo do médico será velado neste domingo (7), a partir das 13h, no Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro. Às 18h, será a cerimônia de cremação.

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