O futebol brasileiro perdeu nesta sexta-feira (24) um de seus personagens mais carismáticos. Morreu, aos 77 anos, João Avelino, em decorrência do Mal de Alzheimer. "Compadre João", "71" – seu número no curso do Senai -, "Titio", "Mandrake" foram alguns de seus apelidos em mais de 50 anos de futebol. Ficou conhecido por salvar as equipes do rebaixamento e por revelar talentos.

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Um dos casos mais famosos foi de 1959, quando ele estava no Guarani. João foi a Valinhos em uma benzedeira, que orientou o time de Campinas a jogar de meias pretas. O conselho foi seguido e a vitória veio sobre o Santos de Pelé, por 3 a 2, se salvando da queda.

Considerado um "descobridor de talentos", João Avelino gabava-se de ter revelado Toninho Guerreiro, atacante de sucesso no Santos e São Paulo. "Ele era da Força Pública. Seus pais não queriam nada com o futebol, pois um de seus irmãos perdera um braço jogando", contou uma vez. "Levei-o para jogar no XV de Piracicaba. No primeiro tempo da sua estréia não fez nada. A torcida queria me matar e tive de puxar um revólver. No intervalo, pedi para ele fazer o que fazia nos treinos. Fez dois gols.

"Ele não é um auxiliar. Trata-se de um segundo técnico", disse uma vez Oswaldo Brandão, com quem João Avelino trabalhou na conquista do histórico título do Corinthians, em 1977, após 23 anos de jejum.

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Apesar do reconhecimento dos colegas de trabalho, a carreira de João Avelino sempre viveu sob a ameaça do desemprego. Em 1958, trouxe o América de Rio Preto – onde trabalhou uma dúzia de vezes – para a primeira divisão do Campeonato Paulista. Venceu Corinthians e São Paulo, empatou com o Santos e, após perder para o Palmeiras por 4 a 1, acabou demitido.

Trabalhou na maioria dos clubes do interior paulista, mas só conseguiu uma boa oportunidade na Portuguesa, em 1971. Ficou apenas 18 meses. Perdeu o cargo após agredir o árbitro Romualdo Arpi Filho.

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