Apesar dos recordes seguidos e da retomada da lucratividade, a indústria automobilística volta ao governo para pedir benefícios. Ciente de novas recusas para antigas reivindicações, como a redução de impostos e mudança da política cambial, o setor mudou o discurso, sem alterar o alvo. Pedirá prazo maior para recolhimento de impostos, redistribuição da cobrança da Cide, retorno de crédito do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago na exportação e ações de infra-estrutura, uma espécie de PAC automotivo.
O primeiro pedido virá dos fabricantes de autopeças, que na segunda-feira se reúnem com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. O outro deve ser entregue em abril, talvez a última ação de Rogelio Golfarb à frente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Ele deixa o cargo no dia 20 de abril, cumprindo rodízio de presidentes, mas antes quer entregar a Lula e a vários ministérios amplo estudo sobre a competitividade da indústria brasileira. O diagnóstico trará comparações entre Brasil e China Índia e leste europeu, que têm atraído investimentos do setor. O relatório com sugestões para evitar que o País perca posições na produção mundial está sendo preparado a toque de caixa para ser concluído a tempo.
Dessa vez, o argumento não é a queda de vendas, que no primeiro bimestre chegaram perto de 300 mil unidades, maior volume da história para o período. O ano deve ser recorde, com 2 milhões de veículos. A alegação agora é evitar que o ritmo desacelere. Junto com exportações, a produção deve atingir 2,7 milhões de carros em 2007.


