Uma missão brasileira chega a Roma na próxima semana para tentar mudar as impressões do Vaticano a respeito de uma das mais populares figuras brasileiras, a do padre Cícero Romão Batista, o Padre Cícero. Nos anais da Congregação para a Doutrina da Fé, o religioso cearense morto em 1934, mas venerado há mais de um século sobretudo no Nordeste, consta como desobediente, suspeito de se aproveitar da boa-fé do povo e envolvido demais com política.

Duas comitivas de cerca de 30 pessoas, entre elas o governador do Ceará, Lúcio Alcântara (PSDB), o arcebispo de Fortaleza, d. José Antônio Aparecido Tosi, e o bispo de Crato, d. Fernando Panico, apresentarão à Igreja cartas inéditas do padre e outros documentos sobre seu caráter que podem ajudar a reabilitá-lo e, dessa forma, abrir caminho para o processo de sua beatificação.

"O que se pretende é que a Santa Sé tenha conhecimento desses documentos inéditos e possa ter uma outra visão", diz padre Roserlândio de Souza, coordenador do Departamento Histórico da Diocese de Crato, vizinha de Juazeiro do Norte, onde atuou Padre Cícero.

Para reforçar os argumentos, a comitiva leva também um abaixo-assinado com 150 mil nomes e um documento assinado por cerca de 200 bispos brasileiros pedindo a revisão histórica e eclesial do caso. "Ele já foi canonizado popularmente", diz Daniel Walker, estudioso de Padre Cícero que ajudou a reunir os documentos.

O grupo se encontrará com Bento XVI na quarta-feira, durante a audiência semanal do papa. Depois levará à congregação o dossiê pedido por Roma em 2001 e elaborado por representantes da diocese de Crato, da Arquidiocese de Fortaleza e da Universidade Regional do Cariri (URCA). Caso obtenha sucesso na cruzada, o grupo encerrará um processo aberto há mais de cem anos para investigar a conduta do padre.