O sinal de que Washington apoiará o ingresso de novos membros no Conselho de
Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), desde que não contem com o
poder de veto, deverá consumir boa parte das conversas que o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva terá no próximo dia 26, em Tóquio, com o primeiro-ministro
do Japão, Junichiro Koizumi. A conquista dessa cadeira é uma das ambições
compartilhadas pelos dois governos, que compõem com a Alemanha e a Índia um
grupo de mútuo apoio, o chamado G-4. Esse também tem sido o único tema capaz de
despertar a atenção da imprensa japonesa para com o governo Lula. "Há um solene
desinteresse da mídia do Japão em relação à visita do presidente Lula. Mas não
se trata de algo específico para o Brasil. Salvo a China e a Coréia do Sul, as
economias em desenvolvimento não despertam o interesse da imprensa", assinala
Angelo Akimitsu Ishii, professor do Departamento de Jornalismo e Sociologia da
Universidade Musashi, em Tóquio. "A foto do presidente só aparece nos jornais
quando o assunto é a reforma do Conselho de Segurança da ONU."

De acordo
com o embaixador Edmundo Fujita, diretor do Departamento de Ásia e Oceania do
Itamaraty, a reforma da ONU estará certamente na agenda política do encontro
entre Lula e Koizumi. O Japão, país derrotado na 2ª Guerra Mundial, e o Brasil,
país vetado para o Conselho em 1945, têm altas perspectivas em relação à reunião
dos membros da ONU que tratará da reforma da organização, em setembro, apesar
das resistências regionais.

A ambição de Tóquio foi apoiada pelos Estados
Unidos, mas é rejeitada veementemente pela China, que também é membro
permanente. O Brasil não conta com apoio do México nem da Argentina. A Coréia do
Sul, país que o presidente Lula visitará antes de desembarcar no Japão, tampouco
está disposta a dar seu aval à ampliação do Conselho de Segurança.

No
último dia 16, o G-4 apresentou formalmente sua proposta de ampliação da
composição do Conselho de Segurança, dos atuais 15 membros – cinco dos quais são
permanentes – para 21 – com 11 permanentes. Além da inclusão dos sócios do G-4
no time com cadeira cativa, a proposta prevê duas outras cadeiras para a África.
A restrição dos Estados Unidos a que os novos membros tenham poder de veto
contrariaria o princípio do G-4 de que todos os membros devam ter direitos
iguais.

Entretanto, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim,
deixou claro na semana passada que, para o Brasil, não haveria problemas em
aceitar essa imposição de Washington. Conforme explicou, mesmo sem o direito ao
veto, a inclusão do País entre os membros permanente significaria um aumento na
capacidade de influência do Brasil.