O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, criticou hoje a oposição ao dizer que lamenta que o governo "tenha sido forçado a encaminhar" ao Congresso Nacional uma medida provisória para que o valor do novo salário mínimo, de R$ 350,00, pudesse entrar em vigor em 1º de abril. "Lamentavelmente o projeto de lei não teve condições de tramitar", disse o ministro. Ele atribuiu a não votação do projeto de lei que tratava do reajuste do mínimo à "disputa ferrenha que a oposição vem fazendo ao governo".

De acordo com Marinho a oposição está querendo amarrar o governo. Como exemplo, o ministro citou o atraso na votação do orçamento. Mesmo criticando a oposição, Marinho disse não acreditar que a MP do mínimo venha a ter qualquer problema na tramitação até porque, lembrou, num determinado momento ela tranca a pauta de votações. Para Marinho não existe a hipótese do Congresso não aprovar a MP.

"Não acredito que o Congresso vá sacrificar milhões de trabalhadores que ganham o salário mínimo e criar uma confusão sem tamanho no mercado de trabalho", disse. Quanto ao porcentual do reajuste das aposentadorias e pensões acima do mínimo, Marinho praticamente descartou que o governo vá conceder o mesmo porcentual de aumento do piso salarial do País, que foi de 16,7%

"Reajuste igual ao salário mínimo é impossível de ser atendido", frisou, referindo-se à reivindicação dos aposentados. Marinho contou que, na próxima semana, governo e representantes dos aposentados e pensionistas terão uma nova reunião e que a expectativas é de fechar um acordo. Segundo a Previdência Social ainda há tempo para sair o decreto do Presidente da República com o porcentual de reajuste dos benefícios porque o novo valor, incidente sobre os benefícios em abril, só será pago em maio.

Por lei, os benefícios previdenciários acima do mínimo são reajustados na mesma data do salário mínimo. A legislação, no entanto, é omissa com relação ao índice do reajuste que, tradicionalmente, vem sendo o INPC.

Os aposentados alegam que vem perdendo poder de compra e aumentaram a pressão sobre o governo para obter um aumento maior

O ministro do Trabalho disse que o governo quer o acordo mas que o porcentual de reajuste tem que caber no orçamento. Ele também disse que vai ser difícil convencer o ministério da Fazenda de dar um aumento maior. Na avaliação de Marinho as negociações vão ser duras com o novo ministro, Guido Mantega. Ele observou que o economista já mudou de posição ao ser deslocado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a Fazenda. "A dureza vai ser a mesma", disse referindo-se às negociações anteriores com o Ministério da Fazenda, quando o ministro era Antônio Palocci.