Brasília – O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, disse nesta quinta-feira (19) que vê com muita preocupação as manifestações realizadas nos últimos dias pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). "Descarto a naturalidade. Não acho que porque é uma data de marcar um episódio muito triste para a história brasileira, que é Eldorado dos Carajás, que se justifica um padrão de violência que houve em alguns lugares", afirmou à Agência Brasil.

"Não é razoável que quando o governo bate todos os recordes de assentamento, investe em reforma agrária como investiu, alguns movimentos tentem impor à sociedade brasileira esse padrão de violência. Acho que isso, inclusive, vai contra o bom senso, fere os sentimentos de democracia da sociedade.", completou Cassel.

Entre as manifestações que considerou exageradas, o ministro citou a ocupação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Brasília. "O governo investiu nos últimos quatro anos R$ 4 bilhões só em ocupação de terra, nunca se assentou tanta gente em tão pouco tempo neste país. Evidente que há demandas que têm que ser cumpridas ainda. A gente iniciou uma caminhada e essa caminhada é longa e tem que ser feita", disse.

"Não estou dizendo que se resolveu todos os problemas. Encontramos a forma de resolver esse problema, estamos caminhando. Agora, frente a isso, não se justifica. É uma afronta ao bom senso esse padrão de violência que alguns movimentos tentam impor".

Nesta semana, o MST fez protestos em vários estados do país para lembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás, que completou 11 anos na última terça-feira (17). O movimento entregou também uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que cobra uma série de reivindicações ligadas às questões agrárias.

A nota do MST reivindica medidas mais eficazes, que acelerem o processo de reforma agrária no Brasil. No documento, a direção do MST alega que nos últimos anos "pouco ou nada foi feito para uma verdadeira reforma agrária" no país. O movimento pede também a vinculação direta do Incra à Presidência da República.

Cassel considerou como "retórica vazia" as reivindicações do movimento. Sobre a vinculação do Incra à Presidência, o ministro disse  tratar-se de uma "simplificação que não resolve absolutamente nada". "O fundamental para o Incra é o que já está tendo. O Incra triplicou o seu orçamento, ganhou 1,6 mil novos servidores. O Incra ganhou o plano de carreiras, o Incra está funcionando. Isso é fundamental. Aonde o Incra vai estar, se é na Presidência ou no ministério A ou B não resolve absolutamente nada. Essa é mais uma retórica vazia, uma simplificação, que não ajuda no debate sobre reforma agrária", disse.