Ministro da Fazenda estudará possível ajuda à Volkswagen

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, se reunirá com representantes do setor automotivo na segunda-feira para estudar ações do governo federal que ajudem as empresas a manter o atual nível de exportações e empregos. Mantega, que participou de uma reunião do conselho da Federação das Associações dos Bancos Brasileiros (Febraban), em São Paulo, também afirmou que o governo pode ajudar indiretamente a Volkswagen, companhia que anunciou na quarta-feira um plano de reestruturação que prevê a demissão de milhares de trabalhadores no Brasil. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o plano prevê a demissão de 5.773 funcionários.

Mantega disse que o governo estuda medidas para ajudar montadoras, entre elas a Volks. "Temos de estudar a situação, mas, certamente, o setor automobilístico é muito importante para o País. Estamos interessados em criar as condições para que esse setor continue exportando", disse o ministro. Segundo Mantega, as exportações de automóveis caíram 10% nos primeiros meses de 2006, o que é um fato "preocupante". "Vamos estudar quais são as ações que vamos fazer para melhorar as condições deste setor."

Para o ministro, o problema não está ligado à competitividade ou à eficiência do setor, mas à valorização do câmbio. "O que está diminuindo a competitividade desta indústria é o câmbio, que está se desvalorizando à velocidade desconfortável. Se pudermos atenuar isso, a partir de outros mecanismos, faremos", disse, sem detalhar que medidas poderiam ser tomadas. Mantega ainda informou que a situação específica da Volks preocupa o governo, que também estudará ações que possam solucionar a crise que a montadora atravessa.

"Nossa preocupação é impedir que a Volks feche as portas ou que diminua sua produção no Brasil. E acho que nós podemos estudar as soluções para isso", ressaltando, entretanto, que nenhuma medida tomada afetará o erário público. De acordo com o ministro não há empecilhos para que a empresa recorra ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), desde que continue honrando os contratos estabelecidos.

O BNDES liberou no mês passado R$ 497 milhões em empréstimos para o aumento da produção da montadora e renovação dos modelos Fox e CrossFox. "Se houver algum retrocesso na Volks em função do empréstimo dado pelo BNDES, ela não vai receber o dinheiro ou vai devolver o dinheiro", disse Mantega.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) fez recentemente outro pedido ao BNDES de uma linha de financiamento para desenvolvimento de projetos de engenharia no Brasil.

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