Os produtores de álcool devem ter cada vez mais cuidado com os aumentos de seus preços, pois os consumidores serão cada vez menos reféns das usinas, avaliou hoje a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff. Após reunir-se com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, para discutir incentivos tributários ao biodiesel, a ministra afirmou que a variedade de combustíveis alternativos, fortalecida pelos motores bicombustíveis está aumentando cada vez mais o poder dos consumidores.
“Eu estou criando uma competição entre a gasolina e o álcool. Se o álcool subir muito, o consumidor vai olhar para a bomba e em vez de álcool vai querer gasolina”, alertou a ministra. Muitos especialistas alertam que o álcool torna-se desvantajoso quando passa a custar mais de 70% do preço da gasolina. A ministra disse que a produção de biodiesel não afetará essa situação, embora o novo combustível verde deva aumentar a demanda por álcool, que é usado como aditivo.
A ministra argumentou que a quantidade de álcool misturada ao biodiesel é muito pequena. “Mesmo que eu considerasse que o diesel vai aumentar a demanda por álcool, esse aumento será também compensado com o fato de o mercado do álcool estar sob pressão: se aumentar o preço, vai empurrar o consumidor para a gasolina”.
Para Dilma, o programa de incentivo ao uso de biodiesel é um dos mais importantes para o País, não só sob o aspecto energético e ambiental, mas também pelos efeitos sociais e econômicos que deverá gerar. Como a produção será feita principalmente por agricultores familiares, em terras áridas de regiões pouco desenvolvidas, principalmente no Norte e no Nordeste, haverá uma distribuição do desenvolvimento e da renda. “O Brasil é um dos países do mundo que tem grande vantagem nessa área por já ter o hábito de consumir combustível verde”, ressaltou. Ela destaca ainda que haverá também a manutenção de renda no País, já que o biodiesel substituirá parte do diesel importado, pago em dólar.
Para que o programa deslanche, no entanto, será necessária a desoneração tributária, que provalvemente ocorrerá com a isenção do PIS e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Segundo Dilma, o reajuste dos combustíveis não foi discutido na reunião com Palocci. “Nem cabe. Essa é prerrogativa da Petrobras”, ponderou a ministra. Ela disse que a estatal está avaliando a questão. “Assim que ela (a empresa) tiver uma posição, comunica ao ministério, ao governo e à população”, disse.
Chineses
A ministra disse ainda que provavelmente a Petrobras assinará com os chineses o contrato de financiamento para a construção do Gasoduto do Nordeste (Gasene). “Nós achamos que há uma possibilidade, pois o financiamento mais competitivo, a juros mais atrativos para nós, tem sido o chinês”.
Segundo Dilma, havia um problema nas negociações com os chineses por que eles queriam que o governo brasileiro avalizasse o financiamento. “Mas eles abriram mão dessa garantia soberana, ou seja, o Brasil não vai ser garantidor”, disse a ministra. Ela previu que o assunto será decidido durante a visita da missão chinesa ao Brasil.
A Petrobras também negocia o financiamento com o Japan Bank for International Cooperation (JBIC). Mas a ministra diz que o critério de escolha será o financeiro. “A Petrobras busca financiamento para o Gasene nos termos mais competitivos; não é financiador por origem, mas o melhor”. Outras hipóteses de parceria com os chineses são nos setores de petróleo, petroquímica, gás, combustíveis renováveis e energia elétrica.
Dilma não descarta a possibilidade de participação dos chineses nos projetos das grandes hidrelétricas de Belo Monte e Madeira, na região amazônica. Segundo ela, os chineses querem discutir a participação em qualquer consórcio que venha a ser montado por empresas do grupo Eletrobrás. “Obviamente esses dois projetos estão no horizonte da programação do País. Agora, nenhum deles foi objeto de uma conversa específica”, ressalvou.


