O Ministério Público Federal pediu à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos de participação na operação de violação da conta bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa, o "Nildo", e na posterior entrega dos dados à Revista "Época". A iniciativa é considerada fundamental para esclarecer a participação de cada um dos investigados. A idéia dos procuradores é rastrear as ligações entre o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, assessores da Caixa Econômica Federal (CEF) e funcionários do Ministério da Justiça e do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) nos dias 16, quando os extratos do caseiro foram impressos, e 17, quando os papéis chegaram à revista e foram divulgados.

A quebra pode revelar lacunas e contradições entre os depoimentos dos envolvidos e, portanto, apontar se alguém mentiu à Polícia Federal (PF). O MPF começou a investigar a violação do sigilo bancário do caseiro há duas semanas. Os procuradores da República no Distrito Federal Gustavo Pessanha Velloso e Lívia Nascimento Tinôco requisitaram informações sobre o caso à CEF, à Receita Federal e Coaf.

A iniciativa da investigação partiu do caseiro, que protocolou o pedido no dia 21. Em nota oficial divulgada ontem (04), os procuradores afirmam ter requisitado à Justiça Federal três medidas cautelares, "que visam obter informações referentes aos acessos indevidos à conta-poupança de Francenildo dos Santos Costa na Caixa Econômica Federal e, também, com intuito de identificar todos os envolvidos nos fatos e as comunicações mantidas entre eles nos dias 16 e 17 de março de 2006". "Os procuradores pretendem identificar todos os envolvidos no episódio da quebra do sigilo bancário de Francenildo", diz a nota.

A poupança do caseiro na CEF foi violada no dia 16, dois dias após ele ter afirmado que o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, supostamente, freqüentava uma casa no Lago Sul mantida pela "República de Ribeirão Preto" – local de suposta partilha de dinheiro e negociações ilícitas.