O Ministério Público do Trabalho, vinculado ao Ministério Público da União, lança em 2005 um plano de ações para combater a discriminação no ambiente de trabalho. De acordo com a procuradora-geral do trabalho, Sandra Lia Simon, os esforços serão concentrados na defesa dos direitos trabalhistas de negros e mulheres. "O projeto ainda está em construção e não podemos revelar os detalhes. Mas uma coisa é certa: o foco serão as empresas privadas", adianta a procuradora.

Pesquisa divulgada em 2001 pela Fundação Seade mostra que, na mesma função, homens negros e mulheres recebem salários até 47,8% inferiores aos pagos para trabalhadores brancos do sexo masculino. O desemprego atinge 23,9% das mulheres e 18,1% dos homens. Se a cor da pele for levada em consideração, as mulheres negras são ainda mais prejudicadas. De acordo com a pesquisa da Seade, a taxa de desemprego é de 25,1% para as mulheres negras e de 18,9% para as não-negras.