O Ministério da Agricultura divulgou nota contestando a reportagem da revista ?The Economist?, intitulada ?O preço do Sucesso?, divulgada recentemente, que associava o crescimento das exportações brasileiras de carne bovina ao desmatamento da Amazônia. O tema também foi abordado pelo jornal inglês ?The Guardian? e em artigo da ONG Centro de Pesquisa Florestal Internacional.

De acordo com o ministério, as matérias confundiram a Amazônia Legal com Amazônia Equatorial, onde predomina a floresta. ?Em primeiro lugar, deve-se considerar que a Amazônia Legal é um conceito político e administrativo, que incorpora uma área muito superior à floresta amazônica?, diz a nota.

O ministério cita como exemplo o fato de quase a metade do cerrado brasileiro estar na Amazônia Legal – região administrativa que abrange nove estados e uma área de 5 milhões de quilômetros quadrados, quase 60% de todo o território brasileiro. Segundo o ministério, nessa área de cerrado se praticam atividades agrícolas que não afetam a conservação da floresta equatorial. Na Amazônia Equatorial, as lavouras e a pecuária são inexpressivas ou mesmo marginais, por não serem economicamente viáveis, esclarece o ministério.

Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na safra 2003/2004 foram plantados na Amazônia Equatorial 645,5 mil hectares com algodão, arroz, milho e soja, o que representa 0,13% da área total da Amazônia Legal, de 500 milhões de hectares. No caso da soja, a área cultivada na Amazônia Equatorial foi de 34,5 mil hectares, o que representa 0,16% da área total plantada com a oleaginosa no Brasil, no período.

De acordo com o ministério, nos últimos 13 anos, entre as safras 1990/91 e 2003/04, a área plantada com grãos cresceu 24%, enquanto a produção cresceu 107%. O Brasil ainda dispõe de 90 milhões de hectares agricultáveis inexplorados, que podem ser incorporados à produção, sem necessidade de desmatamento.

O ministério acrescenta que a carne que o Brasil exporta é originária basicamente das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, áreas já reconhecidas pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) como livres de febre aftosa.