São Paulo – O Ministério do Trabalho e Emprego pretende mudar a estratégia para aumentar a adesão à lei de cotas (artigo 93 da Lei 8213/91), que obriga empresas com mais de cem funcionários a preencher de 2% a 5% do quadro com pessoas com deficiência. E o exemplo deve vir do Estado de São Paulo.

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Após registrar a adesão de apenas 12 empresas em um ano, a Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo (DRT-SP) virou o jogo. Em 2004, subiu para 14.239 o número de deficientes empregados em 1.965 companhias e, em 2005, chegou a 35.782 deficientes empregados e 4 mil empresas notificadas (de um total de 6.739), o que significa que estão dentro da cota ou têm 60 dias para se adequar à lei.

O bom resultado não se deve à pressão das multas – de R$ 1.035 por deficiente não contratado. "Chamamos mais de 6 mil empresas para conversar e autuamos apenas 280, que não demonstraram interesse em negociar", diz a chefe da Fiscalização Regional, Lucíola Jaime.

Se o obstáculo é a falta de mão-de-obra capacitada, a alternativa pode ser reduzir os pré-requisitos exigidos para a vaga. Para as companhias que não podem ter deficientes atuando em sua principal atividade (como uma companhia de segurança ou de transporte), a solução pode ser investir em ações paralelas, como criação de banco de dados, divulgação de campanhas ou capacitação de deficientes.

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Essa estratégia da negociação em vez da multa deve ser estendida a todo o País, adianta Adeilson Telles, coordenador Nacional do Programa de Combate à Discriminação e Promoção da Igualdade. "Vamos inaugurar um programa nacional baseado na experiência de São Paulo." No Brasil, são 24 milhões de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, ou 14,5% da população, segundo dados do Censo de 2000.

De acordo com Telles, o Ministério do Trabalho está fazendo um levantamento das empresas que se enquadram na lei de cotas e da localização de suas matrizes. Em seguida, deve orientar as delegacias regionais do trabalho para que chamem as empresas para conversar, negociem soluções e prazos e, só passado esse período, recorram às multas.

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Banco 

Os olhos amendoados se enchem de lágrimas quando fala do sonho de tirar a carteira de motorista e ir para a faculdade de Direito, não quando lembra do dia em que quatro tiros – um deles na medula – deixaram-na, ainda adolescente, em uma cadeira de rodas. Agora, a conquista do primeiro emprego formal anima Nancy Yume Hamada, de 27 anos, a retomar os planos para o futuro.

Desde setembro, ela trabalha na sede do banco Itaú, em São Paulo, como assistente administrativa na área de sinistros. É um dos 1,1 mil portadores de deficiência admitidos pelo banco por meio do Programa de Contratação de Pessoas com Necessidades Especiais.

Com 37 mil funcionários no total, o Itaú precisa chegar a 1,8 mil portadores de deficiência em seu quadro para cumprir a lei de cotas. "Temos um acordo com o Ministério Público do Trabalho para cumprir a meta de 5% até 2007", diz a diretora de Desenvolvimento de Pessoas, Renata Tubini.

Em 2005, o banco contratou 274 portadores de deficiência graças ao investimento em campanhas junto aos colaboradores para indicação de profissionais portadores de necessidades especiais e na divulgação de oportunidades de emprego em parceria com empresas de recrutamento e entidades de apoio a deficientes.

Editora Abril, PricewaterhouseCoopers, Visanet, Vivo, HP do Brasil, Schering do Brasil e Serasa foram sete empresas que se uniram à organização não-governamental Instituto Paradigma, no ano passado, e criaram o Fórum Permanente de Empresas para a Inclusão Econômica de Pessoas com Deficiência, espaço para troca de experiências e aprendizagem.

O Instituto Paradigma é a única organização não-governamental brasileira que participa, junto com uma missão diplomática, do comitê ad hoc criado pelas Nações Unidas em 2002 para elaborar uma convenção internacional pelos direitos e proteção da pessoa com deficiência. O trabalho deve ser concluído em agosto.