São Paulo – O aumento no valor do salário mínimo de R$ 350 para R$ 380 tem um impacto direto e positivo no ?índice de desigualdade na distribuição de renda?, na opinião da professora de economia Maria Cristina Cacciamali, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP).

?O primeiro efeito [do novo aumento] seria sobre o aumento do consumo dos grupos menos favorecidos em termos de renda e o segundo aspecto seria sobre a diminuição do leque salarial no longo e médio prazo?, disse ela, em entrevista à Agência Brasil.

Caso seja aprovado no Congresso, o novo valor do mínimo, fechado esta semana entre o relator da Comissão Mista de Orçamento, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), e os ministros da Previdência, Nelson Machado, e do Trabalho, Luiz Marinho, deve passar a vigorar a partir de abril de 2007, para que, em maio, o trabalhador receba o novo valor.

Segundo a economista, um aumento menor do salário com a data de vigora antecipada para janeiro de 2007 seria economicamente melhor, pois resultaria em um menor impacto na inflação. ?Mas, do ponto de vista do planejamento das contas públicas isso é praticamente impossível, porque os órgãos não estão preparados para começar o pagamento a partir de janeiro?, diz a professora da USP.

De acordo com Cacciamali, seria ?muito positivo? atrelar os próximos aumentos de valor do salário mínimo à produtividade média do trabalho no país. ?É possível fazer uma associação entre o crescimento do PIB [produto interno bruto] per capita e o aumento do salário mínimo. Poderia ser um decreto pré-programado em que, cada vez que se conhecesse, ao final de cada ano, o aumento do PIB per capita, esse aumento fosse repassado ao aumento do salário mínimo?, sugere ela.