Depois de 18 meses de estagnação, Mercosul e União Européia (UE) retomarão amanhã (21), em Bruxelas, as negociações sobre o acordo de livre comércio, como um sinal de que não abandonaram de vez esse projeto. Hoje (20), o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, concordou com a posição dos negociadores europeus e enfatizou que o foco do bloco sul-americano também está na conclusão do acordo da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Indicou, porém, que o Mercosul estaria pronto a apresentar uma nova oferta sobre serviços financeiros se a UE se prontificar a ampliar sua proposta sobre o acesso de produtos agropecuários a seu mercado.

"Nosso foco central é a negociação da OMC, da mesma forma que é para a União Européia e os Estados Unidos, porque ela está em uma fase decisiva e seu resultado balizará os futuros acordos de livre comércio", afirmou Amorim, no Itamaraty. "Não há como fechar o acordo entre os blocos neste momento. Mas não estou cético. Essa reunião terá um valor simbólico", completou.

Essa mesma cautela foi claramente expressa pelo porta-voz da Comissão Agrícola da UE, Michael Mann. A reunião de Bruxelas, entretanto, também é uma tentativa de desanuviar o clima entre os dois blocos antes de dois eventos relevantes. No próximo dia 29, o comissário europeu para o Comércio, Peter Mandelson, desembarca no Brasil para uma visita de três dias que estará centrada na OMC, mas que resvalará também para o acordo birregional. No dia 1º de abril, no Rio de Janeiro, Mandelson vai se encontrar com Amorim.

Em maio, Viena sediará a Cimeira UE-América Latina, encontro que tende a ser esvaziado justamente pela ausência de acerto entre os blocos e para o qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não confirmou sua presença. "Tudo depende de haver massa crítica de tema e de líderes", ponderou o chanceler, ao ser questionado se Lula havia decidido comparecer.