Os países do Mercosul e a União Européia decidiram, em reunião nesta terça-feira (7), no Palácio Itamaraty, no Rio, montar um pacote conjunto com base nas ofertas feitas em setembro de 2004 para recomeçar, a partir daí, a negociação do acordo entre os dois blocos. A informação foi dada à Agência Estado pelo chefe do Departamento de Negociações Internacionais do Itamaraty e da delegação brasileira no encontro, Régis Arslanian.

"Na próxima reunião, que vai ser muito em breve, inclusive pode ser que seja este ano ainda, já apresentaremos números em agricultura, em NAMA (produtos não-agrícolas) e em serviços", disse Arslanian. Os números em questão referem-se a alíquotas tarifárias, quantidades de cotas e prazos. A próxima reunião será em Bruxelas.

De acordo com o chefe da delegação do Brasil, "ficou muito claro que não podemos dar os números de NAMA e de serviços sem que eles dêem os números de agricultura".

Arslanian defendeu que "é preciso que haja um paralelismo" de movimentos entre Mercosul e UE. Se houver contrapartida européia disse, "a gente está preparado para dar detalhamento" a temas como abertura de resseguros e de transportes marítimos, que interessam aos europeus.

O secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex) do Brasil, Mário Mugnaini, também disse que temas como esses serão detalhados pelo Mercosul para a próxima reunião, enquanto os europeus "também vão detalhar as cotas (de exportação de produtos agrícolas pelo Mercosul para a UE), quem as administra e como se dá". Mugnaini destacou que, com a reunião de ontem e hoje, "houve uma retomada e isso é muito importante".

Eles relataram também que os europeus fizeram perguntas e receberam explicações sobre temas que interessam a eles, como proteção de denominações de origem geográfica e sobre a livre circulação de bens no Mercosul. Os europeus se queixam de que um bem que já pagou tarifa ao entrar em um país do Mercosul tenha que pagar nova tarifa para se deslocar a outro sócio do Mercosul. De acordo com Arslanian, a consolidação da livre circulação de bens no Mercosul está prevista para 2008.