Rio – O mercado de trabalho foi melhor em 2005 do que nos dois primeiros anos do governo Lula, segundo mostra levantamento divulgado hoje (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve evolução em indicadores como ocupação, formalidade e renda, além de queda na taxa de desemprego. Por outro lado, cresceu a dificuldade dos mais jovens em conseguir emprego, apesar da criação do programa Primeiro Emprego em 2003. Os dados são parte de estudo do IBGE sobre a evolução do mercado de trabalho desde 2003

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"O ano de 2005 foi melhor do que 2004, que também foi melhor que 2003", disse Cimar Azeredo, coordenador da pesquisa. Entretanto, ele sublinhou que o número de desocupados apurado nas seis regiões em dezembro (1,8 milhão de pessoas) ainda "é um número alto" e 8,3% da População Economicamente Ativa estava desempregada no final do ano passado, o que ele considera "um número considerável"

Como exemplo da evolução do mercado de trabalho no atual governo, Azeredo citou que o rendimento médio real dos trabalhadores, que foi de R$ 960,70 em 2003 e caiu para R$ 953 51 em 2004 (-0,7%), voltou a subir em 2005, atingindo a média de R$ 972,61 (2% ). Na comparação com 2003, o rendimento médio em 2005 subiu 1,2%.

A taxa de desemprego passou de 12,3% em 2003 para 11,5% em 2004 e 9,8% em 2005. O número de empregados com carteira cresceu 5,6% em 2005, contra aumento bem menor (2%) registrado em 2004 ante 2003. O número de ocupados continuou em alta, com aumento de 3% no ano passado ante o ano anterior

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Jovens

O estudo revela ainda que a população ocupada ficou mais velha e mais instruída entre 2003 e o ano passado. Segundo a pesquisa, a faixa etária com mais dificuldade de conseguir emprego é a dos jovens entre 10 e 24 anos. Especificamente no caso dos jovens entre 18 e 24 anos, o número de ocupados ficou estável (0,2%) em 2005, enquanto na faixa dos 50 anos ou mais o número de vagas cresceu 6,3%

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Além disso, a participação da população de 10 a 24 anos no total de ocupados caiu de 19,5% em 2003 para 18,2% em 2005, a fatia dos ocupados com 50 anos ou mais subiu de 16,8% em 2003 para 18% em 2005. Azeredo acredita que esse fenômeno está relacionado ao envelhecimento da população e também à preferência dos empregadores pela contratação de pessoas com mais experiência

No que diz respeito ao grau de instrução, 2005 ficou marcado como o primeiro ano em que o IBGE registrou que mais de 50% da população ocupada tinha 11 anos ou mais de estudo. Enquanto em 2003 a fatia da população ocupada com esse grau de instrução era de 46,7%, em 2005 chegou a 50,3%. Por outro lado, a participação dos trabalhadores sem instrução ou com menos de um ano de estudo no total de ocupados caiu de 3% para 2,4% no período. "Isso mostra que quem tem menos estudo está sofrendo muito mais para conseguir emprego", observou Marcelo de Ávila, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).