O Ministério Público Federal ofereceu ontem (18) denúncia contra os ex-dirigentes petistas José Genoino e Delúbio Soares, o publicitário Marcos Valério e vários diretores do Banco BMG por crime contra o sistema financeiro e falsidade ideológica. De acordo com o Ministério Público, durante o período do mensalão o BMG concedeu ‘empréstimos fraudulentos’ ao PT e ao grupo de empresas pertencentes a Valério.

A denúncia foi feita na 4ª Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte e é, segundo o Ministério Público, um desdobramento do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) com base nas investigações sobre o mensalão. O esquema de pagamento de propina a parlamentares da base aliada para que votassem projetos de interesse do governo seria operado por Valério. Os dirigentes do BMG haviam ficado de fora da denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

Segundo o Ministério Público, a liberação de ‘recursos milionários’ do BMG ao PT e às empresas ligadas a Valério ‘deu-se de maneira irregular, seja porque a situação econômico-financeira dos tomadores era incompatível com o valor, seja porque as garantias dadas eram insuficientes’. O Ministério Público argumenta que as normas do Banco Central não foram observadas nos contratos. Em nota, avalia que o BMG auferiu ‘inúmeras vantagens em virtude de sua participação no esquema’ e teve ‘lucros bilionários’.

Foram denunciados o presidente do BMG, Ricardo Annes Guimarães, e os diretores Flávio Pentagna Guimarães, João Batista de Abreu e Márcio Alaôr de Araújo. Também são acusados a mulher de Valério, Renilda Maria Santiago e seus sócios Ramon Hollerbach, Cristiano de Mello Paz e Rogério Lanza Tolentino.

‘Legitimidade’

O advogado Sérgio Bermurdes, que representa o BMG, mostrou surpresa com a denúncia. ‘Me causa espanto que o Ministério Público possa denunciar diretores de um banco que se limitou a fazer operações absolutamente legais. O empréstimo ao PT está sendo, inclusive, alvo de execuções.

Marcelo Leonardo, advogado de Valério, sua mulher e sócios, criticou o MPF e argumentou que os procuradores da República em Minas carecem de ‘legitimidade’ para denunciar um fato que envolve um deputado federal eleito, referindo-se a Genoino. ‘Manifesto profunda estranheza com o oferecimento de denúncia pelo Ministério Público Federal em Minas de uma matéria que já está na denúncia oferecida pelo procurador-geral.’ Genoino, Delúbio e seus advogados não foram localizados.