Depois de divulgar uma lista com o nome de 79 pessoas que teriam recebido recursos para as campanhas eleitorais de 1998, o empresário mineiro Marcos Valério confirmou, em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Compra de Votos, que o publicitário Duda Mendonça recebeu R$ 4,5 milhões para a campanha de Eduardo Azeredo a governador de Minas Gerais. Atualmente, Azeredo é senador e presidente nacional do PSDB.

Marcos Valério disse que não mantém negócios com Duda Mendonça, mas confirmou que o publicitário recebeu dele (Valério) recursos sacados em 1998, além dos R$ 15 milhões já revelados, que teriam sido sacados pela empresa de Duda em 2003.

O publicitário mineiro afirmou que não manteve nenhum tipo de relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e garantiu que atuava em nome do tesoureiro licenciado do PT Delúbio Soares. "O senhor Delúbio, na minha opinião, tomava as decisões e mantinha a cúpula do PT informada".

Marcos Valério disse também que o ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira e o ex-secretário de Comunicação do partido Marcelo Sereno, além do ex-chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), sabiam das transações comandadas por Delúbio Soares. O publicitário ressaltou, no entanto, que tem dúvidas de que o ex-presidente do partido José Genoino soubesse do esquema de caixa 2 comandado por Delúbio.

Sobre o suposto pagamento de mesada a parlamentares, o chamado "mensalão", Marcos Valério disse que não acredita na existência de tal esquema, e sim no pagamento de parlamentares isoladamente. Ele informou que vai acionar judicialmente o Banco Minas Gerais (BMG) e o Partido dos Trabalhadores por dívidas não pagas. Segundo Marcos Valério, suas dívidas chegam a R$ 55,2 milhões.