O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, preferiu não comentar a possibilidade de a instituição reduzir o compulsório dos bancos, hipótese levantada pelo jornal Folha de S.Paulo. "Existe uma norma nossa que o Banco Central não comenta sobre política monetária nem sobre taxa de câmbio", disse ele, que participou até ontem da reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS), que ocorre a cada três meses com os presidentes de bancos centrais em Basiléia, na Suíça. "Também não comentamos decisões futuras", explicou.

O compulsório trata-se de um instrumento de Política Monetária usado pelo BC para regular a oferta da moeda e do crédito. Ele incide sobre o volume dos depósitos à vista, depósitos judiciais poupança e sobre os adiantamentos de operações de câmbio.

De acordo com Meirelles, o Banco Central aproveita as oportunidades de liquidez dos mercados para adquirir e constituir reservas. "E nós achamos que o efeito disso tem sido positivo. Tem custos, mas o resultado geral é positivo", explicou. Segundo ele, o BC se reserva o direito de em alguns momentos não anunciados e não explicados poder fazer intervenções para solucionar problemas de liquidez nos mercados ou mesmo de distorções na geração de preços. "Isso já é uma política anunciada há muito tempo só que não comentamos movimentos específicos", disse.

Expansão econômica

Há um quadro favorável para a economia brasileira, na opinião do presidente do Banco Central. Em sua exposição, Meirelles mostrou dados significativos. "A economia cresceu 4,1% como média nos anos de 2004, 2005 e 2006 e já conta com previsões, como a do FMI (Fundo Monetário Internacional), por exemplo, de crescer 4 4% este ano", disse.

A expansão da massa salarial de 8,4% em relação a março do ano passado foi outro dado levantado por Meirelles. "Há aumento de investimento por parte das empresas, o que indica aumento da capacidade produtiva, com inflação controlada e uma situação fiscal estabilizada", explicou.

Quanto à economia internacional, os BCs consideraram que não ocorreram mudanças substanciais nos últimos 60 dias. De acordo com Meirelles, os chefes dos bancos centrais apostam na perspectiva de avanço da economia mundial este ano. "A economia americana desacelerou, mas as outras economias do mundo aceleraram um pouco. É um momento interessante", explica.