“Somos os melhores no esporte, mas nosso país não trata bem os seus deficientes. Tem muito atleta em potencial escondido em casa, que a família não deixa sair. Eles não são coitadinhos, não querem pena, querem ajuda. Eu mesmo, se não tivesse tido a chance, provavelmente estaria até hoje dentro de casa reclamando da vida…”
Clodoaldo, Antônio Delfino (dois ouros, um dos 200 rasos outro nos 400) são atletas de ponta, hoje, primeiro porque tiveram coragem. E segundo porque receberam apoio. Hoje, graças ao dinheiro que recebem do Comitê Paraolímpico Brasileiro, oriundo da verba que é repassada das loterias da Caixa Econômica Federal (lei Agnelo/Piva), são profissionais do esporte paraolímpico. Com os ouros de Atenas, Clodo e Delfino vão se manter, pelo menos até o fim do ano, com mais de R$ 4 mil mensais – um bom salário para quem vive em Natal.
O futuro, no entanto, é um mistério. No ano que vem há eleição no Comitê Paraolímpico. Se a política for mantida, o apoio estará garantido. O ministro Agnel Queiroz, que esteve até ontem em Atenas acompanhando os jogos, não garante nada. “A lei de incentivo ao esporte existe, está aí, mas a questão das bolsas e da ajuda de custo aos medalhistas é uma política interna do Comitê” , disse Agnelo. Com seu jeito brincalhão, o medalhista Antônio Delfino arrematou o assunto: “A boa campanha de Sydney nos rendeu 15 dias de fama após a chegada ao Brasil. Depois, a chama se apagou. Vamos ver agora quanto tempo a chama ficará acesa…”
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