Numa coincidência brutal, com poucas horas de diferença, enquanto o estudante sul-coreano Cho Seung-Hui, de 23 anos, matava 32 estudantes da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, a guerra do tráfico no Rio de Janeiro fazia mais 13 vítimas entre supostos integrantes de facções criminosas que controlam os pontos de tráfico, nos morros da cidade.

O conflito teve início entre as próprias quadrilhas de traficantes – Comando Vermelho e Amigo dos Amigos – que passaram a trocar tiros no Morro da Mineira em disputa por pontos de venda de drogas, obrigando a intervenção policial.

A ação policial foi enérgica e à altura da insolência com que o crime organizado tem agido ultimamente no Rio, embora o número de pessoas mortas, pelo menos três feridas por balas perdidas, tenha mais uma vez deixado a população em estado de choque.

É no contexto da escalada da violência que se justifica a presença ostensiva de soldados das Forças Armadas nas ruas da cidade, conforme pleito endereçado pelo governador Sérgio Cabral Filho à Presidência da República.

Diante da criminalidade escancarada, é dispensável a discussão sobre as reais atribuições das tropas federais e qualquer procrastinação no atendimento do pedido oficial.

A verdade é que as autoridades locais praticamente perderam a guerra contra o tráfico, e a sociedade não pode ficar à mercê do banditismo. Tampouco seria adequado autorizar a venda de armamento pesado em supermercados, como acontece na Virgínia.