Cerca de 5.600 pessoas abandonaram seus lares em distritos rurais e se refugiaram precariamente em povoações vizinhas, para escapar dos combates entre tropas da marinha e guerrilheiros no sudoeste da Colômbia, informaram hoje organizações humanitárias. A crise ocorre no departamento de Nariño, próximo ao Equador, onde guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) se entrincheiraram em povoados e enfrentam as tropas de fuzileiros navais.

Os guerrilheiros tentam manter o controle de territórios onde, supostamente, mantêm os cultivos de coca, matéria-prima para fabricar a cocaína, disse o almirante Orlando Malavert, comandante da Força Naval do Pacífico. O município de El Charco, localizado a 560 quilômetros ao Sudoeste de Bogotá, é onde está o foco dos combates, informa a Ação Social, agência humanitária da Presidência da Colômbia.

"Há duas semanas começaram os ataques da guerrilha e a resposta dos fuzileiros navais, o que obrigou ao deslocamento de mil famílias com 5.600 pessoas, de 21 distritos do município de El Charco", informou o diretor de programas de assistência humanitária da Ação Social, Diego Molano. Um relatório do escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) indicou que os combates se alastram por vários povoados do departamento. Em Nariño se encontram todos os atores da violência colombiana, que disputam o controle de territórios onde existem cultivos de coca: guerrilhas de esquerda, grupos paramilitares de direita e quadrilhas de narcotraficantes.

Hoje, uma ordem internacional de prisão foi expedida contra três cidadãos israelenses, que treinaram em atividades terroristas o exército privado do cartel de Medellín entre 1985 e 1990, informou o Departamento Administrativo de Segurança (DAS) da Colômbia. Os israelenses, que serão procurados pela Interpol em 186 países, são: Yair Klein, Melnik Ferri e Tzedaka Abraham.

Segundo o relatório, eles foram contratados por Gonzalo Rodríguez Gacha, que foi um dos mais temidos chefões do cartel de drogas. Os israelenses treinaram os pistoleiros de Gacha em ações terroristas. Klein, segundo a DAS, também treinou os paramilitares da Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo de direita fundado por Carlos Castaño, aparentemente assassinado pelos próprios colegas em 2004.