Marcos Valério vai confirmar na CPI que Duda recebeu R$ 15,5 milhões

Belo Horizonte (AE) – No depoimento que prestará amanhã (9) na CPI do Mensalão, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza vai reiterar que o publicitário Duda Mendonça responsável pela campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi o beneficiário de repasses no valor total de R$ 15,5 milhões. De acordo com o advogado Marcelo Leonardo, o elo entre Duda e o policial civil David Rodrigues Alves e o churrasqueiro Francisco de Assis Novaes – que juntos sacaram cerca de R$ 6,15 milhões das contas da SMP&B – é o doleiro mineiro Jader Kalid Antônio. "É a pessoa que o Duda indicou para receber. Ele contratou o policial e o churrasqueiro para receber por ele", afirmou Leonardo.

Nos depoimentos prestados na semana passada à Polícia Federal e à CPI mista dos Correios, a diretora administrativa-financeira da SMP&B Comunicação, Simone Reis de Vasconcelos, disse que o montante de R$ 15,5 milhões foi repassado ao publicitário por meio de sua sócia, Zilmar Fernandes da Silveira.

Valério confirmou a informação. Disse que os repasses foram feitos por "instruções" do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. "Efetivamente foi. Isso pode ser checado com o próprio Delúbio", observou o advogado.

O dinheiro sacado por Alves e Novaes – identificado como churrasqueiro profissional, que presta serviços para doleiros e atuava como informante da Polícia Civil – seria repassado para a sócia de Duda, conforme afirmam interlocutores de Valério.

"Acobertando" – Jader Kalid, que se apresenta como "consultor financeiro", negou ser o intermediário dos supostos repasses para o publicitário. Disse que não tem "nenhum contato" com Duda Mendonça e não conhece o policial e o churrasqueiro. "Estou aguardando para tomar as minhas providências. Agora tem que ver quem eles estão acobertando".

Até o final da tarde de hoje (8) Alves e Novaes não haviam sido localizados. Alves sustentou em depoimentos anteriores que não conhece Valério e que seu contato na SMP&B era o sócio Cristino de Mello Paz. Ele já afirmou que retirava o dinheiro de agências do Banco Rural na capital mineira e entregava para Simone Vasconcellos ou de Geiza Dias, gerente financeira da agência.

Palmieri – Em nota divulgada hoje por sua assessoria de imprensa, Valério reafirmou que possui "estreito relacionamento" com o ex-tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, "e que o mesmo foi a Portugal, em janeiro último, fugindo de pressões do presidente de seu partido, deputado Roberto Jefferson". Ele destacou que em seu depoimento amanhã "apresentará provas de sua amizade com Emerson Palmieri, bem como todos os fatos reais acerca da viagem de ambos a Portugal".

Valério repudiou as declarações de Jefferson em matéria publicada hoje pela ‘Folha de S. Paulo’, na qual o deputado afirma que recebeu uma proposta de reestatização de alguma linhas de transmissão da Eletronorte, em uma operação que envolveria também a empreiteira Schain e o Banco Espírito Santo. O empresário disse repudiar as declarações "alucinadas" de Jefferson, que "tenta, mais uma vez, envolvê-lo em suas estórias fantasiosas". Para o advogado de Valério, Palmieri, "provavelmente", está "defendendo Roberto Jefferson, dando a versão" que o deputado quer.

Documentos – Valério prometeu entregar na quarta-feira (10), em Brasília, à Procuradoria Geral da República, à Polícia Federal e as CPIs dos Correios e Mensalão documentos de todas as empresas das quais participa, referentes aos anos de 2000 a 2005. Ele afirma que os documentos comprovam que a quantia total dos empréstimos feitos para o ex-tesoureiro do PT é de cerca de R$ 55 milhões, que, somando-se aos juros, chega a R$ 100 milhões. Segundo sua assessoria, a mesma documentação seria entregue até o final da tarde de hoje à Receita Federal, em Belo Horizonte.

Conforme Valério, o material é composto de disquetes onde constam toda a movimentação fiscal, tributária e financeira das empresas (declarações de imposto de renda, conciliação bancária com registros de entradas e saídas de cheques, faturamento, pagamentos a fornecedores, dentre outros dados). De acordo com sua assessoria, os documentos comprovariam a "veracidade das informações prestadas pelo empresário, na Procuradoria Geral da República, na última semana".

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