Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga é o primeiro cardeal da história de seu país, a pequena Honduras, na América Central. Aos 62 anos, um dos mais novos no Colégio de Cardeais que elegerá o novo papa, é visto como uma estrela em ascensão na Igreja latino-americana. Sincero e corajoso, tem se posicionado firmemente na defesa dos pobres de seu continente e, antes da morte de João Paulo II, foi um dos poucos a declarar que acreditava numa renúncia.

Maridiaga tem uma longa lista de predicados. É doutor em Teologia e formado em Psicologia e Psicoterapia. Foi professor de física, matemática, ciências naturais, química. Toca piano, saxofone, acordeom, violão e bateria. Estudou harmonia de composição e já ensinou também música sacra. É um poliglota, como aprecia o Vaticano: fala espanhol, inglês, francês, português, alemão, italiano, grego e latim.

"Um papa do sul do globo pode ser uma ferramenta para diminuir o conflito entre norte e sul e talvez até resolvê-lo", afirmou em setembro de 2003. Além dele, estão sendo considerados papáveis os colegas latinos d. Cláudio Hummes, Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires e Norberto Rivera, cardeal da Cidade do México. O sul tem ainda o atual favorito nas casas de aposta européias, o cardeal nigeriano Francis Arinze e o arcebispo de Bombaim, Ivan Dias, menos conhecido.

"A justiça social tem de ser a agenda do século 21 em todos os países da América Latina", disse Maradiaga, em 2001, ano em que foi nomeado cardeal pelo papa. Nascido em 29 de dezembro de 1942 na capital hondurenha Tegucigalpa, foi ordenado padre em 1970. Vinte e três anos anos, tornou-se o arcebispo da cidade.

Na mídia, já falou que o "marxismo caducou" e criticou e neoliberalismo. "O capitalismo neoliberal carrega a injustiça e a desigualdade em seu código genético." Segundo o vaticanista americano John L. Allen, escritor de Conclave, Maradiaga "tem um sorriso caloroso e senso de humor imediato". E é aberto às questões ecumênicas, como poucos bispos latino-americanos.

Muitos teólogos, como o brasileiro Leonardo Boff, além do vice-presidente emérito da Pontifícia Conferência Episcopal Latino-Americana (Celam), Cipriano Calderón, acreditam que o novo papa virá do lugar que João Paulo II chamou de "o continente da esperança." A maior quantidade de católicos do mundo está na América Latina. E o primeiro da lista nascidos por aqui, nas casas de apostas, é o hondurenho Maradiaga.