Em meio a várias árvores nuas e ressecadas pelo frio do inverno, a vida explodia em uma flor solitária e vermelha. “O nosso sangue é vermelho, mas a nossa bandeira é verde e amarela e é por isso que estamos lutando, contra a usurpação do Brasil”. A explicação é de Juliano Lopes, um dos organizadores da manifestação na praça 19 de Dezembro, no Centro de Curitiba. A iniciativa foi uma forma de apoiar a presidente Dilma Rousseff (PT) e de se erguer contra o governo interino de Michel Temer (PMDB). Um a um, os participantes concordavam em um ponto: eles não reconhecem a atual administração por entenderem que é fruto de um golpe.

A flor presa ao galho seco ilustrava bem o protesto. Num momento em que boa parte da população se declara contrária ao Partido dos Trabalhadores devido aos escândalos de corrupção, o ato se pretendia importante. “Este é um grito em prol da legalidade. Nós não aceitamos o golpe de Estado”, afirmou Lopes. Ele também esclareceu que a manifestação foi organizada pelo Movimento Curitiba Contra Temer, pelas frentes Povo Sem Medo e de Lutas 29 de Abril e pelo Coletivo MinC Resiste.

Embora, segundo Lopes, o protesto fosse apartidário, havia várias bandeiras do PT em meio à praça. “Isso é porque todos aqui são bem-vindos”, argumentou.

Adesão

No Facebook, o evento na praça 19 de Dezembro teve aproximadamente 1,4 mil confirmações, mas o volume real de pessoas foi bem menor: apenas algumas centenas de participantes. “Eu prefiro ter poucos heróis amigos a uma legião de traidores”, minimiza o organizador, que ainda afirmou que a Constituição Brasileira está sendo violentada e o povo precisa frear isso.

Entre os que não falharam no compromisso estava o professor Álfio Brandemburg. Ele também se declarou contrário ao que entende ser um golpe e ao governo interino e ilegal. “O Temer está destruindo todas as conquistas do nosso povo”, disse. Ao lado dele, a também professora Kátia Isaguirre complementou. “Nós estamos aqui porque somos contra todo e qualquer retrocesso”.

Mais protestos

Outros dois protestos estavam marcados para o Centro da cidade na tarde deste domingo. Um deles pedia o impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) e o fim da corrupção reuniu 25 mil pessoas, segundo a PM. A concentração do ato foi na praça Santos Andrade e, de lá, os participantes seguiram em marcha pelas ruas João Negrão e Marechal Deodoro até a Boca Maldita.

A outra manifestação, organizada pela CUT e o PT, seria na praça Rui Barbosa, também na região central, mas acabou não se realizando.