Brasília – Mais de mil pessoas deverão participar de manifestação na próxima semana em frente ao Tribunal de Justiça do Pará, no centro da capital, Belém, pela condenação do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida.

Ele é acusado de ser um dos mandantes do assassinato da missionária Dorothy Stang, em fevereiro de 2005. O julgamento está marcado para os dias 14 e 15.

Coordenador do Comitê Dorothy, que organiza a manifestação, Luciney Vieira disse que o ato será pacífico e quer chamar a atenção para a impunidade no estado.

?Em 33 anos foram 776 assassinatos e nenhuma condenação. Aqui a pistolagem tem uma boa convivência entre o poderes?, afirmou.

Outro objetivo do acampamento Dorothy Vive, segundo Vieira, é mostrar aos governantes os problemas enfrentados pelas comunidades na Amazônia em decorrência do avanço do agronegócio na floresta.

?A irmã [Dorothy] não morreu para que uma pessoa fosse condenada. Ela foi assassinada defendendo a preservação da floresta, contra o desmatamento. Queria impedir que as crianças da Amazônia morressem de fome, febre e diarréia?, disse.

Três pessoas já foram condenadas pela morte de Stang. O fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, também acusado como mandante do crime, aguarda julgamento.

A missionária norte-americana Dorothy Stang foi assassinada em Anapu, a 500 quilômetros de Belém. Ela trabalhava há 30 anos em pequenas comunidades da Amazônia pelo direito à terra e à exploração sustentável da floresta.

Fazem parte do Comitê Dorothy movimentos populares e grupos ligados à igreja católica.