O presidente da Anamatra Renato Sant’Anna, encaminha carta em resposta ao editorial do Jornal O Estado de S. Paulo, de 7/11/2011, reproduzido neste Direito e Justiça:

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Prezados senhores,

Como todo juiz, tenho obrigação de analisar os fatos com o devido cuidado antes de apontar ilegalidades ou desvios éticos. Por princípio, não posso levantar suspeitas antes de qualquer avaliação ou, pior, presumir a má-fé. Infelizmente vejo, no caso dos Jogos Nacionais da Anamatra, que os juízes do trabalho brasileiros foram condenados sem julgamento. O editorial “O lazer dos juízes e a imagem da Justiça” usou palavras fortes – tráfico de influência – ao vincular patrocínios de empresas públicas e privadas a eventos de entidades representativas.

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E ainda temos que aguentar o cinismo das críticas do presidente da OAB nacional falando de patrocínios, quando sabemos que a entidade dos advogados realizará em poucos dias um evento de grandes proporções patrocinado com recursos públicos e privados e que contará com show humorístico e de música (Titãs e Toquinho), bem como com a presença de inúmeros agentes públicos (ministros de Tribunais Superiores, inclusive a ministra Eliana Calmon, citada no editorial, membros do MP etc). Discutirá, inclusive, a advocacia pública, que defende os entes estatais em face de demandas de algumas das empresas patrocinadoras.

Todo patrocínio e publicidade, na minha visão, têm sim uma “segunda intenção”, perfeitamente ética e moral. Os patrocinadores do evento da OAB (Banco do Brasil, Petrobras, Governo do Paraná, Itaipu Binacional, Sanepar, OAS, FIEP, Oi, TAM, Chevrolet, Copel e outros) têm interesse mercadológico, disputam mercado ou estimulam turismo (por exemplo, o governo do estado).  E isso acontece quando anunciam também, sem que isso signifique suspeição sobre órgãos de imprensa ou jornalistas.

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No caso dos Jogos Nacionais da Anamatra, realizados há sete anos, nossa entidade tem por objetivo estimular a interação dos nossos associados, promover atividades que possam, de alguma forma, beneficiar a própria Justiça do Trabalho, considerada a mais ágil do país. Cada um dos 320 juízes “e seus acompanhantes”, como ressalta a mídia, pagaram para estar ali, não receberam recursos públicos ou privados para participar dos jogos. Pagaram suas viagens (e de seus acompanhantes), pagaram hospedagem (e de seus acompanhantes) e pagaram taxa de inscrição (R$ 200) para interagir, praticar esportes, descontrair a mente diante da alta carga de trabalho. De alguma forma, isso faz bem para a Justiça do Trabalho, acreditamos.

Temos consciência que a imagem da Justiça se fortalece também quando os direitos dos membros do Judiciário – de se organizar, de realizar eventos “de lazer” e também de receber o que a Constituição estabelece – são respeitados. Lamentavelmente vemos que pouco disso está acontecendo.

 

Renato Sant’Anna, presidente da Anamatra