Manancial de lucros

A cana-de-açúcar e a soja constituem o manancial de fartos ganhos para os produtores rurais brasileiros nas próximas safras. A corrida por combustíveis alternativos aos derivados de petróleo expande o cultivo de cana em países com clima propício e abundância de terra, ao passo que a perspectiva de alta dos preços internacionais da soja dá aos produtores o alento necessário para prosseguir na atividade.

As atenções gerais estão concentradas nas cotações da soja na Bolsa de Chicago, as mais rentáveis dos últimos anos e, ademais, sinal forte que a oleaginosa vai prosseguir nas próximas safras como uma commodity de demanda estimulada.

As estimativas indicam que não há, por enquanto, planos para aumentar a área plantada. Não obstante, os produtores estão convencidos da estratégia de incorporar ao plantio o espaço perdido nos últimos anos, devido a problemas de natureza econômica e climatológica.

Não havendo modificações radicais do quadro nos próximos meses, o Brasil poderá ter uma produção de soja de até 63,3 milhões de toneladas na safra 2007/08. Dessa forma, estariam quebrados todos os recordes até então registrados na cultura específica. A previsão, ainda preliminar, é da Agência Rural, sediada em Curitiba, segundo informações divulgadas na última terça-feira.

Ao lado do fertilizante mais eficaz para o avanço da produção agrícola – os bons preços recebidos pelo agricultor – não se pode descartar o favorecimento do clima adequado. Portanto, essa é a conjunção ideal para safras abundantes. Políticas bem definidas de crédito rural, garantia de preços mínimos e seguro das safras são também elos indispensáveis dessa importante corrente integrada à engrenagem global da economia.

Os agricultores não podem tomar decisões aleatórias quanto ao que plantar e em que quantidade, sem estarem apoiados em informações e instrumentos baseados numa realidade contextual do mercado. Mesmo assim, os produtores ainda ficam sujeitos ao impacto negativo dos riscos iminentes sobre a atividade.

O volume de negociações futuras da oleaginosa confirma a probabilidade da expansão da área cultivada, embora o produtor tenha seus gastos pagos em reais, mas receba em dólar desvalorizado. Sem dúvida, esse é o empecilho mais difícil de remover.

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